Prefeitura de São Paulo deve recuperar mais de R$ 85 milhões desviados na gestão Maluf
O valor será destinado à construção de creches em SP, segundo administração municipal
São Paulo|Da Agência Brasil

Por meio de ação proposta pela Prefeitura de São Paulo contra o ex-prefeito Paulo Maluf, datada de 2012, US$ 33 milhões (cerca de R$ 85,8 milhões) deverão voltar aos cofres do município. A informação é dos promotores Silvio Antonio Marques e José Carlos Blat, do MP (Ministério Público) de São Paulo. A prefeitura baseou a ação em dados fornecidos pelo órgão.
Desse total, já foram depositados US$ 10 milhões, os US$ 23 milhões restantes dependem apenas da conversão em dinheiro das ações bloqueadas da empresa Eucatex (de propriedade da família Maluf), na Ilha de Jersey, para que a prefeitura receba. Marques lembra que “essa ação representa uma pequena parte do total desviado”.
O dinheiro desviado da prefeitura foi enviado para bancos no exterior. Parte dessa quantia retornou ao Brasil e entrou nos cofres da Eucatex como investimento na companhia. Para os promotores, tratou-se de um ciclo de lavagem de dinheiro público.
— A participação da empresa é que ela recebeu o dinheiro desviado a partir de várias operações financeiras por meio de vários países do mundo. O dinheiro estava no Brasil, foi para os EUA, a Inglaterra, França, até chegar na Ilha de Jersey. E o dinheiro era de origem ilícita, dinheiro comprovadamente desviado dos cofres municipais.
Acordo com banco usado por Maluf indeniza prefeitura e estado de SP em R$ 49 milhões
Além desse dinheiro, a Prefeitura de São Paulo recebeu nesta quarta-feira (10) do banco alemão Deutsche Bank, o montante de R$ 46,8 milhões (cerca de US$ 18 milhões) como indenização por ter movimentado o dinheiro que foi desviado na gestão de Paulo Maluf (1993-1996). O valor, segundo a prefeitura, será destinado à construção de creches na capital paulista. O Ministério Público garante que dois promotores de Justiça do grupo de educação do órgão estão incumbidos da verificação da aplicação do dinheiro.
O MP reiterou que o banco não desviou recursos públicos. A instituição aceitou pagar a indenização por danos materiais e morais coletivos em troca de não virar alvo judicial do processo que investiga os desvios, que ocorreram durante a construção do túnel Ayrton Senna e da avenida Água Espraiada, atual avenida Roberto Marinho. Apesar do fim da gestão de Maluf, Marques disse que os desvios ocorreram até 1998.
— O ex-prefeito continuou recebendo valores de origem ilícita mesmo após deixar o comando do município de São Paulo.
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Marques disse ainda que a investigação contra Maluf já terminou e o que está em curso são ações nos âmbitos civil e criminal.
— Eu posso falar do âmbito civil, em que existem sete ações cautelares e duas ações civis públicas propostas, e essas ações devem garantir a devolução de todo o dinheiro desviado e ainda a multa por improbidade administrativa, ou seja, nós estamos falando de algo em torno de R$ 5 bilhões, se consideradas a multa e todas as atualizações necessárias.
A assessoria de Paulo Maluf informou, por telefone, que o ex-prefeito não tem conta no exterior, que não é réu na ação na Ilha de Jersey e não é sequer citado na ação.













