Prefeitura veta móveis em prédio ocupado por sem-teto
Edifício de 24 andares foi ocupado no dia 2 de junho e já reúne 500 famílias
São Paulo|Do R7

Alegando falta de segurança no prédio do antigo Hotel Othon Palace, no centro de São Paulo, a prefeitura ordenou que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) impeça que os sem-teto que ocupam o prédio entrem com botijões de gás, eletrodomésticos e móveis no local.
O edifício de 24 andares foi ocupado no dia 2 e já reúne 500 famílias, segundo coordenadores do movimento LMD (Luta por Moradia Digna).
Na terça-feira (17), sem-teto que já participavam da ocupação foram impedidos de entrar no local com esses objetos por cerca de 20 guardas-civis que faziam uma barreira na entrada do prédio. Os únicos pertences permitidos eram colchões e roupas. Aos moradores, a guarda explicava que o prédio oferecia risco de incêndio — por irregularidades na fiação — e riscos à saúde por ter passado por dedetização e desratização poucos dias antes da ocupação.
Na calçada com vários móveis, os sem-teto, como a dona de casa Fernanda Alves, de 25 anos, se revoltaram. Ela mora no local com o marido e o filho de cinco anos.
— Eles dizem que tem risco lá dentro, mas e na rua? Na rua acontece de tudo.
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A prefeitura já entrou na Justiça pedindo a reintegração de posse do prédio, que foi desapropriado pela administração municipal para tornar-se sede da Secretaria Municipal das Finanças. A ação ainda não foi analisada pelo Poder Judiciário.
Para a prefeitura, a entrada dos sem-teto pode atrapalhar a transferência de sede, que representaria uma economia de aluguéis e condomínio de R$ 7,5 milhões por ano. Os procuradores alegam que os sem-teto se prevaleceram da desapropriação para pressionar a prefeitura e passar na frente dos demais cadastrados na lista de espera da habitação.















