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Professores da USP entram em greve em apoio aos estudantes e por valorização salarial

Docentes contestam o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, que determina o reajuste de 3,47%

São Paulo|Do Estadão Conteúdo

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Estudantes criticam questões estruturais da universidade e a situação do Hospital Universitário Rovena Rosa/Agência Brasil - 27.10.2023

Professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram nesta segunda-feira (25) entrar em greve e cruzar os braços em apoio aos estudantes, que estão paralisados desde o mês passado.

A decisão da categoria de paralisar as atividades foi realizada durante uma Assembleia Geral convocada pela Adusp, a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo.


Os docentes estão em campanha salarial e pedem reajuste nos vencimentos.

Contudo, entre as pautas, está também a retomada das negociações da reitoria com os alunos, incluindo um avanço na proposta do reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e a não criminalização do movimento estudantil.


Os professores contestam o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que determina o reajuste salarial de 3,47%, que corresponde à inflação dos últimos 12 meses medida pelo IPC-Fipe.

A Adusp apresentou uma contraproposta: reajuste pelo IPCA, medido pelo IBGE, que atingiu 4,39% nos últimos doze meses, mais 3%, primeiro passo de um processo de recuperação das perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.


Durante a assembleia, chegou a ser levantada a hipótese de uma paralisação nesta terça (26), seguida de indicativo de greve. A opção, no entanto, foi vencida pela opção de paralisar as atividades de maneira imediata.

Demanda estudantil

Os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), o movimento acompanhou a mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.


Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.

A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), que atualmente oferece benefícios que vão de R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil a R$ 885 para auxílio integral.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-Fipe.

Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340.

A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Além disso, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como “Bandejão”, a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, decidiu encerrar unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas.

O reitor da USP, Aluísio Segurado, chegou a dizer que os valores apresentados eram a última proposta que a reitoria poderia oferecer.

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