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Programa que paga por informações sobre crimes tem resultados nulos em SP

Iniciativa oferece até R$ 50 mil para testemunhas que auxiliem a polícia a desvendar casos

São Paulo|Do R7

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Os ataques ocorridos em Osasco e Barueri mataram 19 pessoas
Os ataques ocorridos em Osasco e Barueri mataram 19 pessoas

O Programa Estadual de Recompensa — iniciativa do governo Geraldo Alckmin (PSDB) que oferece até R$ 50 mil por informações de testemunhas que auxiliem a polícia a desvendar crimes — não pagou nenhum real desde que foi lançado, há um ano e quatro meses. Atualmente, é oferecida uma soma de R$ 275 mil por pistas que levem à captura de oito suspeitos e ao desfecho de nove crimes violentos, como latrocínios e homicídios. A maioria dos casos, cujas recompensas correspondem a R$ 200 mil, tem como vítimas agentes de segurança do próprio Estado.

O balanço do funcionamento do programa foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação requerido à Secretaria da Segurança Pública, que informou não ter havido nenhum pagamento nesse âmbito. Questionada sobre que avaliação faz da iniciativa até o momento, a pasta se restringiu a repetir os objetivos traçados. "A Secretaria informa que o Programa de Recompensa surgiu para contribuir na localização de procurados e para os esclarecimentos de crimes que tiveram repercussão na sociedade."

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Para especialistas da área de segurança, podem existir problemas na condução do programa, como a eficácia do mecanismo que garante o anonimato da denúncia ou a simples desconfiança da população em se colocar em risco para auxiliar o trabalho de investigação. O programa foi lançado por Alckmin em maio do ano passado, após uma espera de 12 anos. O decreto que instituía a iniciativa foi assinado pelo governador em janeiro de 2002. O governo destaca a expectativa de que o programa contribua com as investigações policiais, o que não aconteceu até agora.

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Pós-doutorando do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP (Universidade de São Paulo), André Zanetic reforça a importância da confiança da população no trabalho das polícias.

— Na segurança pública é fundamental a cooperação das pessoas com informações para que a polícia delineie áreas de riscos, chegue a determinados resultados com base naquilo que a população disse para ela. Para isso acontecer, é fundamental que haja confiança. E atualmente existe uma desconfiança imensa na polícia e em outras instituições, como o sistema de Justiça.

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A insatisfação, explicou Zanetic, tem várias raízes.

— Há um quadro de insatisfação muito grande com os resultados obtidos pela polícia na resolução dos problemas, mas há também casos de abusos, exageros na ação das polícias, que vitimam muitas pessoas.

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Para o coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho, o problema pode estar na divulgação feita pela secretaria.

— A pouca adesão pode ser explicada pela falta de divulgação, o que deveria ocorrer mais pela propaganda oficial do Estado. Ficar só no boca a boca não é suficiente.

O oficial acredita na efetividade da iniciativa, que se provou válida em outras localidades.

— No Rio, isso já se mostrou muito positivo. Mas, mesmo com toda a segurança do anonimato, os colaboradores não vão pegar a recompensa, seja por receio ou por achar que já cumpriu com sua obrigação de denunciar um bandido.

Valores

Nos últimos 30 dias, a SSP ofereceu os dois maiores valores de recompensa: R$ 50 mil. Isso para informações que levem aos autores da maior chacina do Estado, que deixou 19 mortos. Em outro caso, a pasta espera por pistas que identifiquem os autores do disparo que feriu a soldado Adriana Andrade na cabeça durante um arrombamento de caixa eletrônico na zona oeste da capital, no fim do mês passado. Nos dois casos, suspeitos chegaram a ser presos, mas não foi revelado se houve colaboração do programa.

Com um sistema criptografado, a pasta garante o anonimato do denunciante, tanto no momento do repasse da informação quanto no pagamento. A denúncia deve ser feita pelo site webdenuncia.org.br. É oferecido também o serviço do disque-denúncia, que não paga recompensa, pelo número 181. No primeiro semestre do ano, o canal recebeu 17.914 informações.

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