Protesto contra Covas pede reabertura da Praça do Pôr do Sol
"Menos Covas, Mais Verde" e "Cercas não são solução" estão entre os dizeres dos cartazes colados em cercas instaladas no local
São Paulo|Do R7

As cercas instaladas pela gestão do prefeito Bruno Covas em volta da Praça Pôr do Sol, em Pinheiros, na zona oeste, viraram alvo de protesto. Cartazes colados na estrutura metálica e até pichações pediam a reabertura da praça, fechada com a justificativa de evitar aglomerações na pandemia. "Menos Covas, Mais Verde", "Cercas não são solução" e "Sol não é belo atrás das grades" estão entre os dizeres dos cartazes.
A instalação das cercas ocorreu após pedido da Associação Amigos do Alto de Pinheiros (SAAP) e da Associação de Moradores de City Boaçava. A escolha por alambrados em vez de grades, informou a prefeitura, ocorreu por serem mais econômicos. O custo total da instalação foi estimado em cerca de R$ 653 mil.
Professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e ex-secretário de Cultura da cidade, Nabil Bonduki avaliou a ideia da prefeitura como “esdrúxula” e listou seis razões para sua visão sobre o cercamento da praça.
A primeira delas, segundo o professor, foi a falta de debates com a população a respeito da proposta. “Uma praça como essa é um patrimônio da sociedade como um todo, e não propriedade de um bairro ou uma associação de bairro”, comenta. Aliada a isto, uma segunda crítica feita por ele é que este tipo de política cria um cerceamento de espaços públicos que são de todos, “o que deve ser visto com cuidado”.

Outro ponto crítico, segundo ele, é que a ação no bairro nobre da zona oeste teria sido discriminatória, uma vez que outros locais – praças e parques, inclusive – geram mais aglomerações e não foram cercadas: “é uma decisão estranha por ser tomada num só lugar. E exatamente essa praça não é um lugar de tanta aglomeração”.
Para o professor da USP, para além das contradições na decisão, a forma como ela foi aplicada significou o mesmo que jogar dinheiro fora: "primeiro para colocar os tapumes em abril, que ainda estão lá e custaram cerca de R$ 800 mil. Agora, com os alambrados, que foram em torno de R$ 650 mil. E mesmo que eles decidam que o parque será definitivamente cercado, não vai ser com esse ‘alambradinho’ que está lá, será um novo. Então é um gasto em cima do outro".
Bonduki considera ainda que cercar a Praça Pôr do Sol pode criar um precedente ruim à cidade e outras praças paulistanas. “Em qualquer cidade do mundo não se cerca parques. Acho que essa política de cercamento é uma falsa impressão de segurança. Mas é claro que precisamos ter cuidados, como iluminação, vigilância, manutenção, gestão”, aponta.
O professor pontuou, ainda, que o cercamento não impediu somente os visitantes da praça de aproveitarem a vista proporcionada no local, como também os pedestres e motoristas que por ali passam, que agora terão “um obstáculo visual para dificultar o acesso àquela belíssima paisagem”.
Bonduki vê o cerco à praça com receio de que possa ser um passo para a concessão da área para a iniciativa privada. "Acho que é muito perigoso. E há uma certa preocupação porque a prefeitura tem concedido espaços públicos ao setor privado. Tem uma politica de concessão, e pra isso o cercamento é necessário. É a maneira de você regular. Como no Anhangabaú, onde você começa a criar formas de conceder espaços públicos e restringir o acesso livre das pessoas. Já está sendo feito em parques e de repente a prefeitura pode fazer grandes praças."
Prefeitura
Ao ser questionada a respeito da decisão definitiva sobre fechar ou abrir a praça, a prefeitura disse que ainda está em fase de estudos. Confira a nota oficial na íntegra:
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Subprefeitura Pinheiros, esclarece que atendeu às solicitações de moradores da região quanto à colocação de alambrados na praça. A iniciativa, no período de pandemia, visa a facilitar o controle de pessoas para não causar aglomeração, e, no pós-pandemia, a conservação do local, que contém características de parque e recebe grande quantidade de frequentadores.
O fechamento e abertura do local, assim como sua capacidade, estão em fase de estudos. Durante a pandemia são respeitadas as regras do Plano São Paulo. Foram instalados alambrados em vez de grades, por ser mais econômico. A instalação dos alambrados da Praça do Pôr do Sol está em fase de finalização e no local também estão sendo executados serviços de zeladoria. O custo total é de R$ 652.953,78.















