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Seis em cada dez mortos pela polícia paulista são negros

Estudo feito pela pesquisadora Samira Bueno mostra que essa parcela da população é minoria no Estado, onde 63,1% são brancos

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Letalidade da polícia prevalece na periferia
Letalidade da polícia prevalece na periferia

Um estudo feito pela pesquisadora Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, identificou que 62,1% dos mortos pela polícia em São Paulo entre 2013 e 2016 eram negros. Ainda segundo o levantamento, o uso da força policial no Estado "invariavelmente é direcionado a adolescentes e jovens de baixa renda, pretos e pardos e do sexo masculino".

"Verifica-se uma relação inversamente proporcional entre a população e as vítimas de homicídios praticados por policiais: enquanto os brancos representam 63,1% da população paulista, 30% desta parcela é vítima da ação policial; já os negros, que representam 36,9% do total do Estado, são 66,5% das vítimas [em 2016]", destacou Samira.


Na análise por faixa etária, constatou-se que 16,4% das vítimas de homicídio da polícia paulista no período tinham no máximo 17 anos, sendo que a maior parte se concentra no grupo entre 15 e 19 anos.

A localidade onde ocorrem as mortes também merecem atenção. O estudo identificou uma concentração da letalidade policial na Grande São Paulo, Baixada Santista e algumas regiões do interior, como Ribeirão Preto e São José dos Campos.


Na capital paulista, esses casos se repetem com maior frequência nas periferias. A letalidade policial por grupo de 100 mil habitantes em alguns bairros da zonas leste e sul superou 10, enquanto a média de homicídios no Estado foi de 8,9 em 2016.

Entre 2013, 89 policiais militares e civis foram assassinados, em serviço ou de folga. Esse número caiu para 80 em 2016. No mesmo período, o número de mortes em decorrência de intervenção policial saltou de 605 para 856 (+41,5%). Os homicídios no geral recuaram 64,9%.

O Estado de São Paulo registrou em 2017 o menor número de homicídios dolosos desde 1999 — início da série histórica. Foram 3.294 assassinatos, queda de 6,44% em relação ao ano anterior.

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