Logo R7.com
RecordPlus

Sem obra, represa da grande São Paulo perde 35% de água

Área onde cabem 46,9 bilhões de litros para a produção de água está tomada de mato

São Paulo|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Sistema Cantareira está sendo muito afetado pela seca
Sistema Cantareira está sendo muito afetado pela seca

Mais de três anos após a remoção das famílias que ocupavam seu território, a Represa Taiaçupeba, em Suzano, na Grande São Paulo, ainda opera com 35% a menos da capacidade de armazenamento.

A área onde cabem 46,9 bilhões de litros adicionais para a produção de água do Sistema Alto Tietê está tomada de mato e cortada por uma estrada.


Leia outras notícias sobre São Paulo no R7

Se o reservatório tivesse sido inundado desde 2011, o segundo maior manancial que abastece a Região Metropolitana poderia estar hoje com um volume disponível 9% maior.


— Se esses braços da Taiaçupeba tivessem sido inundados lá atrás, certamente nós estaríamos hoje em uma situação melhor. Talvez não precisássemos usar o volume morto do manancial.

A afirmação é do engenheiro José Roberto Kachel, ex-funcionário da Sabesp e integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Segundo ele, o volume útil do sistema, que também enfrenta crise de estiagem, pode zerar em cerca de cem dias, caso não volte a chover.


Capacidade

Na sexta-feira, o Alto Tietê estava com 17,3% da capacidade, a mais baixa da história. Isso significa que restam hoje, nas cinco represas do manancial, cerca de 90 bilhões de litros. Se a Taiaçupeba, segundo maior reservatório do sistema, estivesse operando com capacidade máxima, o volume poderia ser de 137 bilhões de litros, ou 26,3% da capacidade total do Alto Tietê, que só fica atrás do Sistema Cantareira em volume armazenável.


O imbróglio envolvendo o enchimento total da Represa Taiaçupeba já dura mais de 30 anos. A inundação deveria ter ocorrido no fim dos anos 1970, pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), mas o processo ficou suspenso porque a empresa de papelão Manikraft entrou na Justiça contra a desapropriação de sua fábrica no local. Em 1992, a Taiaçupeba começou a operar parcialmente, com a capacidade que tem hoje, de 85,2 bilhões de litros.

O litígio só foi resolvido em junho de 2008 e a Manikraft deixou o local. A partir daí, o impasse passou a ser a remoção de 741 famílias que moravam na área.

O processo começou em 2009, organizado pelo DAEE, pela Sabesp, pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), todos do governo paulista, e pela prefeitura de Suzano. Em um informativo da época, o governo afirma que, sem o enchimento total da Taiaçupeba, "cerca de 3 milhões de pessoas poderão sofrer com racionamento".

Transbordo

Segundo moradores, as famílias foram retiradas em 2010. Em abril daquele ano, as represas transbordaram, e o sistema superou 100%. A Sabesp afirma que o processo terminou em abril de 2011. À época, o Alto Tietê estava com 81,8% da capacidade. Agora, com nível baixo, a companhia planeja retirar cerca de 25 bilhões de litros do volume morto das Represas Jundiaí e Biritiba. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com a crise de abastecimento de água em São Paulo, o racionamento tem sido tratado como uma alternativa para amenizar o problema. Para fazer uma avaliação técnica dessa possibilidade, Heródoto Barbeiro conversou com o consultor ambiental, Alessandro Azzoni, que analisou o cenário atual no Jornal da Record News.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.