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SP: 7 a cada 10 dizem saber pouco ou nada sobre questões ambientais

Embora citem pouco entendimento, 62% dos entrevistados são preocupados com tema e 80% apontam como muito importante

São Paulo|Guilherme Padin, do R7

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Razão para o pouco conhecimento pode ser associada ao poder público
Razão para o pouco conhecimento pode ser associada ao poder público

Sete a cada dez paulistanos afirmam que conhecem pouco ou nada sobre aquecimento global e mudanças climáticas, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (7) pela Rede Nossa São Paulo.

Apesar de serem poucas as pessoas que consideram entender muito sobre as questões ambientais, a grande maioria dos habitantes da capital paulista enxerga o problema como algo grave: 80% consideram o aquecimento global ou mudanças climáticas como muito importante e 62% se declaram muito preocupados com isto.

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Para Igor Pantoja, doutor em Sociologia e assessor de mobilização da Rede Nossa SP, a razão que explique a importância dada população apesar do conhecimento escasso sobre o problema está associada ao poder público.

“A educação ambiental é um ponto de destaque. Quando perguntamos as ações humanas que mais influenciaram para manutenção ou piora do meio ambiente, a falta de educação ambiental é citada por 82% das pessoas como fator de muita influência [e outros 12% apontam que influencia pouco]. Tem a ver diretamente com a responsabilidade do poder público”, cita Pantoja ao R7.

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Outro apontamento do sociólogo sobre a falta de entendimento é de que, embora as pessoas não saibam explicar sobre o tema, elas têm uma noção clara da importância dos principais problemas ambientais.

“Conhecem pouco, mas sabem que é muito relevante. E também é importante que elas estão abertas a tratar disso, que se importam e gostariam de lidar de forma mais respeitosa ao meio ambiente”, afirma Pantoja, que considera essencial o reconhecimento das pessoas sobre a própria participação no agravamento do problema: 61% dos entrevistados concordam totalmente ou parte que seus hábitos de consumo têm relação com o desmatamento, por exemplo.

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População aponta ações humanas que mais causam problemas ambientais
População aponta ações humanas que mais causam problemas ambientais

“As pessoas também reconhecem que a mudança climática é causada por ação humana. Desmistifica o pensamento de que imaginem que é tudo culpa de ações da natureza”, comenta.

Segundo o assessor da Nossa SP, há uma ampliação da conscientização popular, mas o passo adiante será trazer essa preocupação ao plano prático, mostrando as formas possíveis de participar de mudanças ativas para solução do problema.

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Principais problemas ambientais de SP

Na avaliação dos entrevistados, os principais problemas ambientais da cidade de São Paulo são a poluição do ar (para 59% dos respondentes), a poluição dos rios (54%) e as enchentes (43%).

Estes problemas são causados pelas ações humanas, segundo 72% dos paulistanos. Outros 17% consideram que as causas são ações humanas junto a mudanças naturais do meio ambiente e 6% apontam somente as mudanças naturais como o motivo.

A respeito das buscas por melhoras neste sentido, nove a cada dez paulistanos entendem que as três esferas do governo são responsáveis pela busca por soluções na capital paulista: 92% apontam a prefeitura, 91% citam o governo estadual e 89% consideram o governo federal.

Ao todo, 91% concordam totalmente ou em partes que é preciso articular políticas municipais, estaduais e federais para o enfrentamento aos desafios do meio ambiente na cidade.

“A pauta do meio ambiente fica muito na Secretaria do Verde e Meio Ambiente e não consegue entrar muito nas outras secretarias”, diz Igor Pantoja. O problema é algo identificado não só pela Nossa SP como a própria opinião pública, como mostra a pesquisa, comenta o assessor.

“A despoluição de rios e córregos é a solução mais eficiente aos problemas ambientais de São Paulo. É um indicativo importante para políticas públicas. Tratar não só o rio, mas o esgoto e o saneamento para a população. Há uma série de efeitos que a despoluição traz consigo. A despoluição já impacta desde a casa das pessoas”, diz Pantoja, que lembra, entre os resultados, que cerca de metade da população associa isto a doenças como dengue, zika, chikungunya, leptospirose e hepatite A.

“Atualmente, o índice de doenças de veiculação hídrica é bastante elevado em algumas regiões por conta disso. Países que não têm essa problema praticamente não há esses tipos de doenças” diz ele.

Brasil perde credibilidade no cenário internacional

A pesquisa também aponta que, para a população, nos últimos anos o Brasil está perdendo credibilidade internacional por sua atenção – ou falta dela – em relação às mudanças climáticas e aquecimento global.

Ao todo, 81% dos respondentes afirmaram concordar totalmente ou em partes com a afirmação.

“Há uma análise geral de que o Brasil está perdendo espaço nessa agenda em nível mundial”, aponta Pantoja.

Outro lado

Em nota, a prefeitura de São Paulo alega que as ações ambientais no município são reconhecidas pela comunidade internacional, de acordo com o Plano de Ações Climáticas.

“O PlanClima foi oficialmente lançado na última semana e estabelece objetivos e metas para as próximas décadas e necessidade de multi-ações intersecretariais, que incluem, por exemplo, a Secretaria de Mobilidade e Transportes, para zerar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera”, escreve a gestão, que afirma que “as ações da SVMA são totalmente intersecretariais”.

Como exemplo, a prefeitura aponta que a SPTrans participa das ações para cumprir as metas ambientais da região: “Somente em 2021, já foram incorporados mais de 680 novos ônibus à frota da cidade. Toda a frota de ônibus circula com um tipo de diesel menos poluente - uma mistura de 90% diesel S10 (menor teor de enxofre) e 10% biodiesel (B12)”.

A gestão aponta ainda que, por meio da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes), a cidade conta com a maior malha cicloviária do país, com objetivo de tornar a bicicleta uma alternativa viável de transporte. “O plano de metas 2021/2024 da prefeitura prevê um incremento de 300 km na malha cicloviária da cidade”, diz a prefeitura.

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