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SP ganha parque com passarela e elevador dentro da Mata Atlântica

Parque Ecológico dos Imigrantes está localizado no km 34,5 da rodovia e é feito 90% de material reciclado. Entrada é gratuita, mas deve ser agendada

São Paulo|Plínio Aguiar, do R7

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Localizado no km 34,5 da rodovia, o parque de dois mil metros quadrados aproveitáveis
Localizado no km 34,5 da rodovia, o parque de dois mil metros quadrados aproveitáveis

De um lado, bugios e manacás-da-serra; do outro, bromélias e antas. A frente, a rodovia Imigrantes, que liga a capital paulista ao litoral; para trás, a Mata Atlântica. Assim é a visão da passarela que se tem a nove metros de altura no topo do Parque Ecológico dos Imigrantes.

Localizado no km 34,5 da rodovia, o parque de dois mil metros quadrados aproveitáveis será inaugurado na próxima quinta-feira (29) e a expectativa é que os visitantes possam aprender sobre duas promessas modernas: sustentabilidade e acessibilidade. Além, é claro, de apreciar a Mata Atlântica — parque possui 22% da mata restante no Estado de São Paulo.


A sustentabilidade se deve ao fato de 90% do parque ter sido construído com material reutilizável: uso de 65 toneladas de aço, resíduos de obra reaproveitados e reclicados, sucata de 130 carros populares, estrutura com perfis metálicos montados sem solda e passarelas de madeira plástica com garrafas pet. Também é possível perceber vários sistemas de geração de energia por meio de fontes renováveis e limpas, como células fotovoltaicas, poste de gerador de energia éolica e solar, bomba d'água de baixa potência e iluminação led.

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A acessibilidade, por sua vez, se dá por dois elevadores e largas trilhas para pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes, além de um funicular. Este último é um sistema que sobe 110 metros em três minutos. Cabem confortavelmente dois cadeirantes e possui vidros transparentes, podendo ver adentro a mata e, em segundo plano, os carros e caminhões que trafegam em uma das mais populares rodovias paulistas.

Elevadores garantem a acessibilidade dos visitantes como locomoção reduzida
Elevadores garantem a acessibilidade dos visitantes como locomoção reduzida

Lá no topo, uma passarela plana que dá acesso a trilha Sensorial, antes o túnel feito com plantas, como maracujá sul, e galhos. O ar é mais puro; o vento, forte; e o som dos passarinhos passa a ser uma canção de ninar. Ali, após o túnel, onze cadeiras foram postas, para que futuramente seja feita uma concha acústica ecológica. A ideia também é fazer, ainda sem previsão, três construções palcos de pesquisadores, biólogos, ambientalistas e discussões e aprendizados dos pilares os quais o parque foi construído.


Presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Bernardo do Campo, município onde o parque está alocado, Luís Kassab realizou a trilha e aprovou o fácil acesso do local. "É diferente de outros parques, porque você consegue se mover com tranquilidade, sem apuros, e ter visões incríveis", disse. "Têm elevadores e o funicular que são práticos e essenciais pra nós", continuou.

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Ao seu lado estava o gestor de logística Alan Mazzolini, de 40 anos. Também cadeirante e praticante de nado a remo, ele não hesitou em dizer que era o "melhor parque para a comunidade". "No meu esporte, eu entro dentro d'água, aqui eu entro na mata. Eu consigo sentir o cheiro das plantas e tocar nos troncos das árvores. Apreciar a natureza, que amo tanto", relatou.

O ambientalista e membro do Comitê Executivo do parque Ricardo Pimentel Maluf acredita que o espaço possa mudar a concepção das pessoas. "É se desligar da correria, aproveitar a natureza e aprender uma nova mentalidade ecológica", diz. "O nosso sonho é receber as pessoas, principalmente crianças, para que esse novo mundo aconteça".

Plantas são identificadas para estudo e contemplação durante as trilhas
Plantas são identificadas para estudo e contemplação durante as trilhas

Enquanto o ambientalista listava as espécies de plantas, uma lhe chamou a atenção e, então, parou a caminhada. Olhou para a reportagem do R7, apontou para uma árvore, e disse que aquela era líquen vermelho. "Essa cor (vermelha) indica que aqui o ar é puro"' sorriu.

Erguido pela Fundação Kunito Miyasaka sob o custo de R$ 14 milhões, o parque possui a Passarelas e as trilhas Sensorial, das Samambaias, dos Macacos, das Antas e das Orquídeas - apenas a Passarelas ainda é liberada para cadeirantes. A visita é guiada sempre por monitores ambientais e todos os funcionários do parque são de comunidades vizinhas ao espaço.

O presidente da fundação, Roberto Yoshihiro Nishio, reconhece que a abertura do parque é uma vitória. "Faz mais de doze anos que estamos nessa caminhada e, agora, poder retribuir e dar algo tão precioso como o parque é incrível", disse.

Serviço

Endereço: km 34,5 da rodovia dos Imigrantes

Visitas: gratuitas, devem ser agendadas em www.parqueecologicoimigrantes.org.br

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