Eleições 2022

São Paulo SP: só 1 em cada 10 adolescentes aptos a votar tirou título de eleitor

SP: só 1 em cada 10 adolescentes aptos a votar tirou título de eleitor

Segundo o TRE-SP, até o fim de fevereiro havia 141.668 eleitores de 16 e 17 anos no estado — 12,7% da população dessa faixa etária

  • São Paulo | Guilherme Padin, do R7

Até o fim de fevereiro, havia apenas 141.668 eleitores de 16 e 17 anos no estado de São Paulo. O número é de um levantamento do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo) e representa menos de 13% da população paulista nessa faixa etária (1.116.220 pessoas).

Os dados acompanham os baixos índices de jovens que pretendem votar em todo o Brasil, o que motivou recentes campanhas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para incentivar o público a tirar o título de eleitor.

Para Rosemary Segurado, cientista política e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), os dados refletem, na verdade, um desinteresse geral no país pelo exercício do voto:

“Esse baixo comparecimento nas eleições não se dá somente entre jovens. Se formos olhar dados de séries históricas de eleições, ele vem crescendo principalmente nos pleitos da última década”.

No entanto, Segurado ressalta que o baixo interesse é, de fato, especial entre a população mais jovem. Acerca desse fenômeno em específico, comenta ela, um dos aspectos de maior influência passa pela falta de representatividade.

De acordo com a cientista, há um distanciamento muito grande entre representantes e representados: nas eleições de 2020, por exemplo, 38% dos municípios só tinham candidatos brancos a prefeito e o número de mulheres candidatas a prefeita ou vereadora era 2,5 vezes menor que o de homens. No país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pretos ou pardos formam 56% da população e a maioria também é feminina (51,8%).

“No caso dos jovens, essa falta de reconhecimento na representação política é bastante marcante”, comenta ela.

A especialista pondera também que as pautas de interesse para a juventude são pouco contempladas. Para ela, questões como a ampliação de postos de trabalho para essa faixa etária, especialmente afetada pelo desemprego, deveriam ser mais debatidas e trabalhadas pela classe política.

Outro problema, de acordo com Segurado, está relacionado à educação. A evasão escolar, aprofundada durante a pandemia de Covid-19 e o consequente período de ensino remoto, também colabora para o afastamento dos adolescentes do voto.

“São elementos, além de escândalos de corrupção e casos de abuso de poder – esses afetando a população como um todo –, que pioram a descrença na política”, pondera.

Dados de SP acompanham baixos índices do país

Dados de SP acompanham baixos índices do país

Reprodução/Agência Brasil

A professora da PUC acredita que, para devolver esse interesse aos adolescentes e jovens adultos, é necessário que os partidos tenham uma agenda própria que contemple essas populações.

“É uma parcela significativa do eleitorado [entre 16 e 17 anos], cerca de 6 milhões de pessoas. É muito, algo que decide uma eleição. Os partidos precisam estimular candidaturas mais jovens para que eles se vejam representados na política”, conclui.

Altos índices de abstenção em 2018 e 2020

Corroborando o argumento da professora de que o desinteresse pela política tem atravessado distintas gerações, o país registrou altos índices de abstenção nas eleições nacionais de 2018 e novamente nas municipais, em 2020.

No segundo turno do pleito de 2018, o país teve recorde de eleitores que desistiram de votar, 31.331.995 pessoas, superando em mais de 1,2 milhão o número de desistentes no primeiro turno daquele ano.

A taxa de abstenção foi ainda superior na eleição de 2020, de 23% no primeiro turno e 29,5% no segundo. Nesse caso, porém, também foi influenciada pela pandemia do novo coronavírus.

“É um número maior do que nós desejaríamos, mas é preciso ter em conta que nós realizamos eleições em meio a uma pandemia que já consumiu 170 mil vidas e que muitas pessoas, com o compreensível temor de comparecer às urnas, deixaram de votar. Muitas por estarem com a doença, muitas por estarem com sintomas e muitas por estarem com medo”, afirmou o ministro Luís Roberto Barroso, à época presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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