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SP tem de ousar para revitalizar bairros, diz executivo americano

Joe Furst liderou conselho que comandou renovação de bairro de Miami

São Paulo|Gustavo Basso, do R7

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Joe Furst, em evento sobre urbanismo nos EUA
Joe Furst, em evento sobre urbanismo nos EUA

Responsável pelo conselho diretor à frente da renovação do bairro de Wynwood, em Miami, o executivo do setor imobiliário americano Joe Furst afirma que a capital paulista tem potencial para transformar seus bairros degradados, mas precisa de ousadia.

Em dez anos, Wynwood passou de um local evitado pela população a queridinho de jovens artistas e chefs da cidade da Flórida.


“O pessoal de desenvolvimento de políticas públicas e suas equipes têm muitas ideias criativas [no Brasil], mas o setor privado ainda reluta”, afirma.

O executivo concedeu entrevista ao R7 na semana passada, quando veio ao Brasil para uma série de palestras sobre revitalização urbana organizada pela Embaixada e consulados dos Estados Unidos.


Até dez anos atrás, Wynwood concentrava armazéns e pequenas indústrias abandonadas, além de pequena população e altos índices de criminalidade.

Wynwood era marcado por galpões abandonados
Wynwood era marcado por galpões abandonados

Até que uma imobiliária onde Furst também atua viu iniciou um processo para transformar o bairro em um polo cultural e gastronômico. “Nós compramos dezenas de imóveis no bairro e formamos um BID (Distrito de Melhorias para Negócios, em tradução livre) para reunir proprietários e poder dialogar com o governo”, diz.


Sem paralelos no Brasil, BIDs são um modelo recorrente nos EUA. Grandes cidades como Nova York possuem dezenas deles, que funcionam de modo semelhante. Uma taxa extra é cobrada de proprietários e moradores de uma determinada região da cidade, e essa verba é revertida no pagamento de funcionários e membros do conselho, e melhorias em limpeza, saneamento, segurança e formulação de políticas públicas

Outro trabalho feito pelo BID é estabelecer padrões para a construção e reforma dos imóveis da região. Uma iniciativa que para Furst tem potencial para ser executada no país.


— Uma coisa que eu acho que é mais importante no desenvolvimento de bairros é encontrar cenas únicas, de modo que quando você estiver em um determinado lugar, você sabe que está lá, não pode confundi-lo com nenhum outro lugar. E há locais em São Paulo mesmo com essas características históricas e humanas.

Grafite em Wynwood
Grafite em Wynwood

Em Wynwood, uma dessas características é a arte urbana, contando até com obras do brasileiro Kobra.

Para ele, os BID são uma solução porque muitas vezes a prefeitura não tem tempo ou foco para cuidar de cada bairro da cidade. “A cidade pode ficar confortável com o que o conselho defende, já que decidimos mais próximos à comunidade”.

Os membros do conselho são eleitos anualmente por votação direta entre os proprietários da região para mandatos de um ou dois anos.

Gentrificação

Furst afirma que em Wynwood, o processo de gentrificação (saída de moradores de baixa renda por causa da alta no preço dos aluguéis), não foi propriamente um problema, já que a região era marcada por galpões abandonados, sem moradores. Mas, em outros bairros, ele afirma que é necessário atenção.

"É uma discussão que precisa ser feita, e tentamos criar alguma política para aumentar o número de imóveis acessíveis", diz. “Hoje, construtoras são incentivadas a construir unidades voltadas para um público abaixo da renda média em troca de benefícios. Mas esse é um sistema imperfeito.”

O bairro à noite
O bairro à noite

Ele explica que nos EUA atualmente as políticas buscam evitar a criação de guetos ou bairros exclusivamente ricos ou pobres. “Se você tem 100 unidades em um prédio, o setor privado obtém um benefício adicional se construir 25% por cento dessas unidades para serem acessíveis à população de baixa renda”, explica.

Por lá existem ainda programas do governo de Créditos Tributários de Habitação de Baixa Renda e Créditos de Habitação Acessível para a Força de Trabalho, que são dá às construtoras que criam imóveis à população mais pobre fundos através do governo, em uma iniciativa que Furst diz ser semelhante ao Minha Casa Minha Vida.

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