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Suspeitos de matar menino Brayan com tiro na cabeça são denunciados pelo Ministério Público

Denúncia foi feita quatro dias antes de dois dos cinco acusados serem mortos na prisão

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Menino boliviano Brayan foi morto com um tiro na cabeça; Diego Campos é o acusado por ter dado o disparo fatal
Menino boliviano Brayan foi morto com um tiro na cabeça; Diego Campos é o acusado por ter dado o disparo fatal

Quatro dos cinco acusados pela morte do menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, no dia 28 de junho deste ano, foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo. A denúncia foi acolhida pela juíza Tatiana Vieira Guerra e o julgamento pode acontecer no primeiro semestre de 2014, e foi feita quatro dias antes de dois acusados já detidos terem morrido na prisão.

Paulo Ricardo Martins, de 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, foram mortos na tarde da última sexta-feira (30), dentro do CDP (Centro de Detenção Provisória), onde cumpriam prisão preventiva, em Santo André, na Grande São Paulo. A suspeita é que eles possam ter sido envenenados. No dia 26 de agosto, a dupla e outros dois acusados, Diego Rocha Freitas Campos e Wesley Pedroso, foram denunciados pelo promotor Roberto de Almeida Salles.


Conforme a conclusão do inquérito, produzido pelos investigadores do 49º Distrito Policial de São Mateus, da zona leste da capital, Campos seria o autor do disparo fatal que atingiu a cabeça de Brayan, que “teria irritado o acusado por chorar” no colo da mãe, Verônica Capcha Mamani. Tanto ele, quanto Pedroso continuam foragidos. No mês passado, a polícia chegou a fazer buscas no litoral paulista, mas não encontrou os foragidos, cuja prisão preventiva já foi decretada.

Garoto boliviano de cinco anos morto por bandidos não gostava de viver no Brasil


O quinto envolvido no caso é um menor de 17 anos que está apreendido em uma unidade da Fundação Casa, onde receberá medidas socioeducativas. De acordo com a advogada da família de Brayan, Patrícia Vega, a morte de Martins e Lima na cadeia não amenizou a dor da família, que voltou para a Bolívia após o crime.

— A família não ficou feliz, o que a gente espera é que não aconteça com mais ninguém (dos acusados). Não é um conforto para a família. Ela quer o Diego e o Wesley presos.


A defensora dos bolivianos voltou a afirmar que acredita que o julgamento possa ocorrer dentro de seis ou sete meses, o que leva a uma previsão de que o Tribunal do Júri aprecie o caso em meados de março de 2014. Antes disso, quando ocorrer a primeira audiência de instrução (a qual não possui data ainda), os pais de Brayan voltarão ao Brasil para acompanhar o caso.

Se não forem capturados pela polícia até o julgamento, os dois foragidos poderão ser julgados à revelia, ou seja, menos não estando presentes no tribunal, eles estão citados no processo criminal e por isso serão julgados.


O crime

Um morador chegava em casa de carro, por volta da 0h30 do dia 28 de junho, quando seis homens se aproximaram, cinco deles estavam encapuzados. Eles estavam com duas armas e quatro facas. Três famílias de origem boliviana moravam na casa que fica na Vila Bela, em São Mateus, zona leste de São Paulo. O imóvel é dividido em cômodos com cama, armários, fogão, geladeira e pia.

As dez pessoas que estavam na casa foram levadas para um desses quartos, no piso superior e mantidas reféns. Brayan estava no andar de baixo e foi entregue à mãe por um dos assaltantes. Ele ficou assustado e começou a chorar no colo dela.

Os criminosos roubaram R$ 4.500 durante o assalto. Eles ainda pediam mais dinheiro e ficaram incomodados com o choro do menino. Um dos assaltantes, armado com um revólver, mandou a criança se calar, caso contrário, atiraria. Foi naquele momento que Brayan pediu para não ser morto e também para que não assassinassem a mãe dele.

O menino levou um tiro na cabeça depois que a mãe ajoelhou e mostrou a carteira vazia. Após o crime, eles fugiram levando o dinheiro. O menino foi levado a um hospital, mas já chegou morto à unidade de saúde.

Os pais de Brayan vieram com ele para o Brasil há seis meses. Eles moravam e trabalhavam como costureiros no mesmo imóvel onde aconteceu o crime. Após a tragédia, a mãe disse na ocasião que não queria mais continuar vivendo no País e voltaria à Bolívia. Brayan era filho único do casal.

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