Taxistas cobram até três vezes mais por corridas na 25 de Março
R7 flagrou a prática em seis situações; motoristas se recusaram a ligar o taxímetro
São Paulo|Do R7

Um grupo de taxistas na rua 25 de Março tem realizado a prática irregular de combinar o preço antes da corrida com os passageiros. Em seis situações, a reportagem do R7 tentou embarcar em um táxi de um dos pontos da rua e teve a corrida pelo taxímetro negada. Os motoristas cobravam preços fechados — em geral três vezes mais caros do que a corrida legalizada. A reportagem optou por não embarcar em nenhuma das corridas oferecidas.
Em um dos flagras, realizado na semana que antecede o Natal, o R7 anunciou o destino como a praça da República. O valor da corrida não costuma passar de R$ 10. Porém, o preço cobrado pelo motorista foi de R$ 30.
Em outra situação, registrada no vídeo abaixo pela equipe do R7, um taxista começa perguntando o local para onde seria a corrida. O valor do trajeto entre a rua 25 de Março e a estação Marechal Deodoro do Metrô, destino da reportagem, é de cerca de R$ 15. O taxista cobrou R$ 25 para fazer o mesmo percurso.
Ao pedir para ligar o taxímetro, o motorista falou para o repórter buscar um táxi em outro ponto da rua. A justificativa era a de que naquela parada o trajeto seria mais fácil para o destino informado — no entanto, os dois pontos ficam na mesma rua.
O R7 conversou com passageiros da região e algumas pessoas que não concordavam com a cobrança chegaram a ameaçar os motoristas envolvidos no esquema. Esses, porém, satirizaram a possibilidade de denúncia, imitando os passageiros que fotografavam as placas dos táxis, dizendo que "a moda agora é essa" — referindo-se aos registros das placas.
Veja abaixo o flagra da cobrança tabelada da corrida:
Ilegal
Na prática, os taxistas não podem cobrar um preço fechado por corrida, ou se recusar a ligar o taxímetro. Apenas nas rodoviárias do Tietê e da Barra Funda e no aeroporto de Congonhas é que é permitido cobrar antecipadamente pela corrida.
Ao R7, o DTP (Departamento de Transportes Públicos) da SMT (Secretaria Municipal de Transportes) confirmou, por meio de nota, que "não existe corrida combinada". Ainda de acordo com o texto, "a cobrança de tarifa deve ser feita pelo taxímetro. A exceção é o serviço pré-tarifado que existe no Aeroporto de Congonhas e nos terminais rodoviários Barra Funda e Tietê, com autorização e controle da Municipalidade, no qual o valor de cada corrida é pago antecipadamente, inclusive com cartão de crédito".
Fiscalização
O DTP informou, ainda, que a fiscalização é feita por 105 agentes técnicos e conta com 19 viaturas, 24 horas por dia. Em caso de flagrante, motoristas e veículos em atividade irregular têm seus veículos apreendidos e recolhidos. Entre janeiro e novembro deste ano,
152.077 veículos foram vistoriados — sendo 131.553 táxis — e 548 foram apreendidos (48 por efetuar corrida combinada).
Além da fiscalização em toda a cidade, o DTP participa da Operação Natal (ações conjuntas de transporte e trânsito), iniciada em 3 de novembro. A ação vai até dia 31 de dezembro e tem o objetivo de fiscalizar táxis, fretados e veículos que fazem carga-frete em vias das regiões do Brás, Bom Retiro e rua 25 de Março, tradicionalmente lotadas nesta época do ano.
Até o dia 30 de novembro, 287 táxis foram fiscalizados na região central e 18 apresentaram irregularidades, mas não houve flagrante de corrida combinada.
As denúncias sobre transporte ilegal podem ser feitas pelo telefone 156, pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) 2692-3302/2291-5416 e 2692-4084, por e-mail dtpsac@prefeitura.sp.gov.br, ou ainda pessoalmente na sede do DTP, situado na rua Joaquim Carlos, nº 655, Pari, de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h.













