"Temos confiança de que essas pessoas irão parar atrás das grades", diz parente de vítima da TAM
Nesta quinta-feira, acontece o segundo dia das audiências de instrução do caso
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Do lado de fora do prédio, o Fórum Criminal Federal, no centro de São Paulo, familiares de vítimas do acidente com Airbus -320 da TAM acompanharam o segundo dia de audiência de instrução do caso. As primeiras testemunhas de acusação começaram a ser ouvidas na quarta-feira (7), seis anos depois da tragédia no aeroporto de Congonhas, que resultou na morte de 199 pessoas. Carregando banners com fotos das vítimas, eles se mobilizam por justiça.
Integrante da AFAVITAM (Associação de Familiares e Amigos do voo da TAM JJ 354), que conta com cerca de 150 membros atuantes, oriundos de 26 Estados, sete países, Maria Estela Outor, 74 anos, fala sobre como tem sido dolorosa a espera por um desfecho para o caso. Ela é mãe de Douglas Henrique Outor Teixeira, morto na tragédia.
— No dia 21, faz dois meses que perdi meu marido, amor, companheiro, meu cúmplice. Ele se abateu imensamente pela perda do filho. Ficou cético. Não acreditava que os culpados seriam punidos.
Maria Estela relata que, por vezes, se sentia impotente. Apesar do longo tempo, ela diz crer na futura condenação dos acusados.
— Eu acredito na Justiça, mas não acredito que eles [réus] serão presos.
Ela destaca a importância da união das famílias das vítimas.
— É um apoiando o outro. Não esquecemos e não vamos esquecer nunca.
O empresário Roberto Silva, 57 anos, pai da comissária Madalena Silva, afirma estar esperançoso.
— O Brasil está mudando. Acredito que realmente vai haver justiça. Temos confiança de que essas pessoas irão parar atrás das grades.
Ele também ressalta a importância da mobilização dos familiares.
— Não podemos ficar parados. Se ficarmos parados, desabamos. A luta é que nos deixa de pé.
A mulher dele, Therezinha Silva, 52 anos, revela que, a cada ano, a saudade aumenta mais.
— É difícil explicar esse sentimento, parece que foi ontem. Ela [Madalena] está bem, está conosco, mas não era para ter acontecido.
Roberto completa:
— É difícil passar um dia em que a gente não chore pela Madalena.











