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Trânsito 'eterno' em SP tem pânico e carregadores compartilhados

Repórter do R7 relata caos após passar mais de 6 horas presa no trânsito; São Paulo registra mais de 600 pontos de alagamento

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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Motoristas ficaram mais de 6 horas parados após chuvas em São Paulo
Motoristas ficaram mais de 6 horas parados após chuvas em São Paulo

Às 6h desta segunda-feira (11), olhei o aplicativo de trânsito pela primeira vez. O trajeto do bairro do Belém, na zona leste, até a Barra Funda, na zona oeste, seria realizado em 30 minutos. Às 6h15, olhei pela segunda vez o aplicativo para confirmar e verificar alguma eventual mudança. Os mesmos 30 minutos.

Na saída do bairro, o trânsito fluía bem. Muitos carros pelas ruas, mas nada de anormal para uma segunda pela manhã. Ao chegar na altura da ponte Jornalista Bráz Romano, porém, os carros enfileirados davam o tom do congestionamento que se seguia. Em princípio, imaginei que uma das pistas da Marginal Tietê estivesse interditada, como costuma ocorrer em dias de chuva. Uma situação muito mais caótica estava por vir.


Motoristas com quem conversei disseram nunca ter ficado tantas horas parados no mesmo trecho, ainda que as pistas da Marginal sejam conhecidas pelos costumeiros alagamentos. Em dias sem congestionamento, o trajeto do Belém até a Barra Funda leva, em média, 20 minutos. Em horários de pico, o caminho pode ser realizado em até 1h30. Nesta segunda-feira, porém, o trânsito impressionou até os motoristas mais experientes.

Ouvi de muitos deles que, mesmo em dias de chuva, o trânsito nunca chegou ao que se viu hoje. Entre às 6h30 e 9h30, pouquíssimos metros puderam ser percorridos. Enquanto isso, pelo rádio, as notícias traziam ainda mais tensão. Pela janela, era possível notar aos motoristas curiosos tentando descobrir rotas alternativas.


Os aplicativos, porém, deixaram a desejar. Não funcionaram e não previram o atraso inimaginável para quem tinha pressa de chegar ao trabalho, entregar uma mercadoria ou simplesmente voltar para casa.

Voltar para casa, aliás, não é uma opção ao motorista parado na Marginal Tietê. A demora para transitar por alguns metros desencorajou os condutores a buscar rotas diferentes das habituais. Ambulâncias e carros de polícia tinham grande dificuldade em atravessar as pistas ainda que com as sirenes de emergência ligadas. Um caminhão de pequeno porte da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) que devia estar a caminho de algum trecho com dificuldades, ironicamente, também ficou preso na Marginal.


Na altura da ponte da Vila Maria, o cenário começou a ficar mais dramático para o motorista, que já enfrentava quase 5 horas de congestionamento. Os acostados da Marginal se transformaram em pontos de encontro para condutores que não sabiam o que fazer. Vários deles tentavam, sem sucesso, adivinhar o grau de dificuldade dos trânsito nos quilômetros a frente. Alguns decidiram subir na ponte em busca de uma visão panorâmica. A paciência das duas primeiras horas no trânsito da manhã cedeu lugar a um sentimento de impotência e desolação.

Para receber e compartilhar informações entre si, alguns chegaram a pedir carregadores de celular emprestados. Outro tipo de trânsito passou a ser visto na Marginal. Desta vez, de pessoas. Muitas decidiram deixar ônibus e pequenas lotações para fazer uma parte do trajeto a pé. Um grupo decidiu subir a Ponte da Vila Maria. Quase todos levavam mochilas nas costas ao tentar desbravar o mato e o lixo nos canteiros da Marginal.

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