Ursos reabrem polêmica sobre cativeiro
O recinto mede 1,5 mil metros quadrados, enquanto Ibama exige 300 m² por casal
São Paulo|Do R7

Aurora e Peregrino são os únicos ursos-polares (Ursus maritimus) do Brasil. Vivem no Aquário de São Paulo, no Ipiranga, zona sul da capital, desde dezembro. Nem bem foram apresentados ao público, em 14 de abril, passaram a atrair, além de visitantes, a atenção de ativistas.
Pelo menos uma vez por semana, a ONG Aliança Internacional do Animal (Aila) coloca manifestantes na frente do local, munidos com cartazes e megafone, pedindo que os ursos sejam devolvidos à natureza.
O proprietário do Aquário, Anael Fahel, comentou sobre o caso.
— Estamos nos preparando para processá-los. Eles estão querendo denegrir nossa imagem. Por que não vão protestar também no zoológico, onde tem leão, girafa e outros animais selvagens?
A fundadora da Aila, Ila Franco, diz que "mesmo com a melhor das intenções, jamais o Aquário poderá dar o mínimo para as necessidades do animal".
— Não é correto ensinar as pessoas que é normal e educativo confinar animais selvagens, exóticos ou outros em cativeiro. Logo ficarão doentes e fatalmente morrerão.
As negociações para a vinda de Aurora e Peregrino começaram há mais de um ano. Eles chegaram em dezembro, sob empréstimo de um zoológico russo. Fahel precisou cumprir uma série de exigências burocráticas e técnicas para viabilizar o processo. No Brasil, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) normatiza a construção de recintos para animais em cativeiro. Os espaços são avaliados por comissão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
A coordenadora de Biodiversidade e Recursos Naturais do Centro de Fauna Silvestre em Cativeiro do Centro de Fauna Silvestre da pasta, Caroline Lorieri Vanin informou sobre a documentação.
— O Aquário de São Paulo entregou todas as documentações pertinentes e ajustou suas estruturas.
O recinto dos ursos mede 1,5 mil metros quadrados, enquanto o Ibama exige 300 m² por casal.
Inaugurado em 2006, o Aquário não tem só peixes. Ali vivem morcegos, pinguins, cangurus, cobras e até preguiça. Hoje, são cerca de 250 espécies. A instituição emprega 36 profissionais apenas para o manejo dos animais, entre biólogos, veterinários e tratadores, além de 22 educadores ambientais.
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O recinto de Aurora e Peregrino tem neve artificial, temperatura e luz controladas e muita água. Há suspeitas de que a fêmea esteja prenhe - significa que, em breve, pode nascer o primeiro urso-polar no País. Se vierem filhotes por aí, uma maternidade já está pronta, anexa ao recinto. Segundo especialistas brasileiros e russos - que ficaram em São Paulo por dez dias acompanhando a chegada dos animais -, a adaptação do casal foi rápida e bem-sucedida.
O presidente da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Paulo Magalhães Bressan, afirma sobre o objetivo dos zoológicos.
— Zoológicos sempre foram considerados locais que tinham como objetivo maior o entretenimento. A nova missão dos zoológicos desmistifica o paradigma do antigo conceito de 'museu vivo'. Hoje, são encarados como aliados para estratégias de conservação, para que seja estabelecida política pública da gestão da fauna e biodiversidade nos Estados e no Brasil.
A veterinária Laura Reisfeld trabalha lo local e diz que mesmo sendo instituição privada, o aquário possui compromissos semelhantes.
— Claro que há o entretenimento, mas ele traz consigo a educação ambiental. Aqui, fazemos estudos que, muitas vezes, são usados por quem pesquisa a vida livre. Temos muitas parcerias.
Ila Franco diz que "nunca critica sem dar soluções viáveis" e já conseguiu vaga para Aurora e Peregrino em uma organização europeia que mantém animais em reserva. O proprietário do Aquário conclui:
— Qualquer animal da instituição está disponível para participar de projetos de soltura, desde que sejam responsáveis.















