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Usuário de carro deve financiar ônibus, diz secretário

Assim como prefeito, ele sugere que o imposto sobre os combustíveis seja municipalizado

São Paulo|Do R7

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Quinto protesto contra aumento das passagens está marcado para esta segunda-feira
Quinto protesto contra aumento das passagens está marcado para esta segunda-feira

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, defendeu nesta segunda-feira (17), que os usuários de carro financiem o transporte público na capital paulista, com o objetivo de frear o aumento das passagens. Para isso, ele sugere que o imposto que incide sobre os combustíveis deixe de ser federal, municipalizando-se, e assim reverter-se para o sistema de ônibus.

— Acho que quem devia pagar e financiar o transporte público é o usuário do transporte individual. É uma tese.

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A declaração foi feita enquanto Tatto vistoriava o primeiro dia das faixas exclusivas para ônibus na marginal Tietê.

— A prefeitura tem condição de arcar sozinha com os custos do transporte? Parece-me que não, até porque neste ano ela já vai gastar R$ 1,250 bilhão em subsídios.

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Para injetar recursos na rede de ônibus, ele sustenta a mudança na lei, em âmbito nacional, o que vem sendo defendido pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

— Uma das maneiras de você financiar o transporte público, a meu ver, quem sabe, é você criar uma Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) municipal, e isso depende de criar um projeto de lei federal, complementar.

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O dirigente afirmou que a taxação municipal dos combustíveis trará ganhos para os coletivos, controlando o preço da tarifa.

— Tem um estudo que a cada dez centavos que você cobra da gasolina equivale a 30 centavos da passagem de ônibus. E do ponto de vista inflacionário incide mais sobre inflação o aumento da passagem de ônibus que o aumento da gasolina. Só é preciso transformar o foco da Cide. Em vez do superávit primário, deveria servir para o transporte público.

Entretanto, o secretário garantiu que não é possível baixar o valor da tarifa de ônibus, que subiu no último dia 2 de R$ 3 para R$ 3,20, como quer o MPL (Movimento Passe Livre). Ele também disse ser contra a implementação de um pedágio urbano, cobrando um preço para os motoristas circularem em determinadas áreas da cidade.

— A cidade de São Paulo não está preparada para isso. O paulistano não aceita esse tipo de cobrança.

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Tatto, que também é presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e da SPTrans (São Paulo Transporte), afirmou que o espaço na cidade de São Paulo "não é democrático", já que os passageiros de ônibus são penalizados pelos que utilizam automóveis.

— O usuário do carro usa um espaço além do espaço dele, usa muito mais espaço no viário.

Outro ponto abordado pelo dirigente, ainda sobre a questão da redução do preço da tarifa, é o que trata das gratuidades. Ele pediu para estudantes que têm direito a meia passagem mas que tenham condições de pagar o preço inteiro a fazer isso, para não onerar os outros passageiros.

— Não me parece ser correto, embora seja uma conquista de todos, mas aqueles que têm dinheiro, que têm condição de pagar a passagem, passagem de graça penaliza ou o trabalhador que está dentro do ônibus ou penaliza toda a cidade. Então, me parece que quem tem condições de pagar a tarifa, deveria pagar.

A respeito das manifestações por tarifa zero nos transportes públicos de São Paulo, o secretário foi enfático.

— Não adianta só fazer a manifestação, você tem que ter propostas. E a prefeitura não se recusou, em nenhum momento, dialogar com o Movimento Passe Livre e isso vai continuar acontecendo.

Uma reunião entre a gestão Haddad e representantes do MPL para discutir a questão do preço da passagem está programada para esta terça-feira (18).

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