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Vale do Ribeira armazena dois Cantareiras

Uso dessas águas para a Grande SP está no plano de recursos hídricos do governo estadual 

São Paulo|Do R7

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O Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, tem reservatórios equivalentes a dois Sistemas Cantareira, cheios de água límpida e, até agora, intocados. O conjunto de oito represas, seis delas no Rio Juquiá, fornece energia elétrica à CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), empresa do Grupo Votorantim. Juntos, os lagos somam 8,9 km de lâmina d'água, quatro vezes a extensão das represas do Cantareira. Os mananciais suportam uma captação de 60 mil litros por segundo.

Outras duas barragens estão nos rios do Peixe e Açungui, todos tributários do Rio Ribeira de Iguape, o principal do Vale do Ribeira, também conhecido como Vale das Águas pela profusão de recursos hídricos.


A região, com a maior extensão de Mata Atlântica preservada do Estado, foi a menos afetada pela estiagem que atingiu São Paulo neste ano. O uso dessas águas para suprir a demanda da região metropolitana está no Plano de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, do governo estadual, que prevê alternativas para o abastecimento urbano até 2035.

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A concessão de uso das barragens feita pelo governo federal à CBA vence em 2016. De acordo com o secretário executivo do Comitê de Bacia Hidrográfica Ribeira de Iguape e Litoral Sul, Ney Ikeda, a renovação terá de ser negociada tendo como foco o uso múltiplo das águas.

— Como prevê a legislação, a prioridade deverá ser o abastecimento público.


A primeira obra de transposição da água do Vale do Ribeira para a Grande São Paulo deve ficar pronta em 2017. O Sistema Produtor São Lourenço, resultado de uma parceria público-privada entre a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e o Consórcio São Lourenço, prevê a captação de 4,7 mil litros por segundo na Represa Cachoeira do França, no Rio Juquiá, no limite entre Ibiúna e Juquitiba. A água será transportada por 83 km de adutoras até uma estação de tratamento em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana, para ser distribuída.

O estudo, concluído em 2013, antes da estiagem que afetou o Estado, estima que a demanda de água na Grande São Paulo em 2035 chegará a 283 mil litros por segundo — 60 mil litros a mais do que a disponibilidade atual em períodos normais. Segundo o plano, o Vale do Ribeira é a área mais próxima com água disponível.

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