Vereador Adilson Amadeu atuou na CPI dos Bingos mesmo mantendo negócios com investigados
Político do PTB alugou prédio de sua propriedade para oito empresários ligados ao jogo
São Paulo|Lumi Zúnica, especial para o R7

Entre 2007 e 2008, o vereador de São Paulo Adilson Amadeu (PTB) foi relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigava a sonegação de impostos municipais por parte das casas de jogos em São Paulo e que ficou conhecida como CPI dos Bingos.
Na época, a participação do vereador na CPI foi questionada porque Rodrigo Xisto, seu filho, era sócio de empresários ligados a bingos. Maria Della Grocci e Andrea Galvez eram sócias do filho do vereador nas churrascarias Bufalo Grill, da marginal Pinheiros e da Penha, e também eram proprietárias de bingos que doaram dinheiro a funcionários da prefeitura para realização de festas na mesma época em que as empresas eram fiscalizadas.
O caso acabou com a exoneração do funcionário público Wanderlei Araújo, da subprefeitura da Vila Mariana.
Outro sócio das churrascarias era Jair da Ressureição Paula, diretor-adjunto da Abrabin (Associação Brasileira de Bingos) e dono de diversas casas de jogos, conforme ele próprio relatou.
Adilson Amadeu não se afastou da CPI dos Bingos, apesar da relação próxima com os empresários investigados.
Mas, documentos obtidos com exclusividade pela reportagem podem provar que as suas relações com os donos de bingos eram muito mais estreitas.
Churrascarias Bufalo Grill
Uma rede de supermercados alugou para Magali Della Grocci e Marcos Roberto dos Santos Ribeiro salões comerciais para a instalação do restaurante Bufalo Grill, na marginal Pinheiros e na Penha, fixando aluguel mensal de R$ 10 mil e R$ 17 mil, respectivamente.
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Além de Magali e Marcos Roberto, também eram sócios Miguel Gimenez Galvez, dono do Bingo Domingos de Moraes e do Bingo Taquari, e Jair da Ressureição, proprietário de diversos bingos em São Paulo e no Sul do País, entre os quais os bingos Facó e Imperatriz, dois dos maiores da capital paulista.
Os contratos de locação mostram que o fiador nos dois imóveis era o próprio vereador Adilson Amadeu, isso desde 1º de março de 2001, seis anos antes da CPI iniciar a investigação, o que prova uma relação de confiança de longa data entre o vereador e os empresários.
Boulevard Santana
Adilson Amadeu é proprietário de um prédio localizado na rua Ezequiel Freire, 483, no bairro de Santana, zona norte de São Paulo. O edifício foi alugado pelo vereador para a empresa Boulevard Santana Comércio de Alimentos por R$ 10 mil mensais.
A Boulevard Santana era de propriedade de Sérgio Ricardo Della Crocci e Paulo Sergio dos Santos Ribeiro, ambos sócios do Bingo Facó e dirigentes da Associação Brasileira de Bingos. Também o filho do vereador, Rodrigo Xisto, fazia parte da sociedade.
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Sérgio Ricardo Crocci e Paulo Ribeiro são também familiares de Magali Della Grocci, sócia nas churrascarias Bufalo Grill e do Bingo Facó.
O vereador nunca declarou o imóvel de Santana ao Tribunal Eleitoral.
Churrascaria Minuana
Outro empreendimento comercial de Rodrigo e Bruno Xisto Amadeu, filhos do vereador, era a Churrascaria Minuana, na avenida Adolfo Pinheiro, 1.600, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
Ali, eles mantinham sociedade com Magali Della Grocci, Sergio Crocci, Nelson Naim Libbos, Anderson, Darcy e Evandro Sabonaro Salute e com Paulo Ribeiro. Os sócios eram proprietários do Bingo Facó e tinham participações em outros bingos, alguns também de dirigentes da Abrabin.
Todos eles eram donos de empresas fiscalizadas pela CPI da qual o vereador era relator. Eles também eram sócios dos filhos de Adilson Amadeu em outros empreendimentos.
CPI dos Bingos
Segundo a Secretaria de Finanças da Prefeitura de SP, os 187 bingos espalhados na cidade tinham uma dívida de quase R$ 660 milhões por sonegação do ISS (Imposto Sobre Serviços).
Já o relatório final da CPI afirma que o valor era superior porque os bingos recolheram o imposto baseado no piso mínimo, quando o correto seria pagar 5% sobre o faturamento bruto.
Durante as investigações, foram ouvidos os proprietários de alguns bingos, entre os quais Jair da Ressureição Paula, proprietário do bingo Imperatriz, que em dado momento foi questionado pelo vereador Adilson Amadeu, relator da CPI.
— O sr. tem ciência de quanto é devedor de ISS para o município?
Jair disse não se recordar, mas o próprio Adilson Amadeu respondeu:
— Os senhores devem hoje R$ 42.560.019,52
Já no depoimento do empresário Miguel Gimenez Galvez, proprietário do Bingo Taquari, Adilson Amadeu pediu a palavra para registrar que ele era amigo do empresário.
— Que é uma pessoa com quem tenho amizade há mais de 30 anos, disse o político.
O vereador e relator da CPI só se esqueceu de informar que ele era fiador em duas empresas dos investigados e proprietário de imóvel que sediava uma terceira empresa.
Procurado insistentemente, o vereador Adilson Amadeu não se pronunciou sobre as denúncias.














