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Vereadores são denunciados por gastar dinheiro público em boate 

Ministério Público de São Paulo denunciou cinco parlamentares por improbidade administrativa e pede pagamento de multa de R$ 20 mil cada

São Paulo|Plínio Aguiar, do R7

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Na foto, restaurante onde vereadores usaram dinheiro público, segundo MP
Na foto, restaurante onde vereadores usaram dinheiro público, segundo MP

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) denunciou cinco vereadores de Iacanga, município a 376 km da capital, por improbidade administrativa. O órgão pediu também o pagamento de multa de R$ 20 mil cada um por danos morais coletivos. Os parlamentares são acusados de usar o dinheiro público durante viagem oficial em uma festa chamada "noite da coelhinha" de uma casa noturna na zona oeste da capital.

De acordo com a denúncia, os vereadores Dorival Ferreira de Campos Filho, Vagner Rodrigo Crepaldi e Leonel Roma visitaram a capital paulista em “missão oficial”, no dia 27 de junho de 2017. Na ocasião, citaram compromissos junto à Assembleia Legislativa e, na prestação de contas, apresentaram comprovante de despesa de R$ 340, gastos no “restaurante” Bomboa, em Pinheiros.


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Pouco menos de um ano depois, os vereadores Dorival Lupiano de Assis, Vagner Crepaldi e Rafael Geovani Delaporta Sedemak também viajaram à capital do Estado. Desta vez, receberam R$ 1.500 como adiantamento das despesas de viagem. O trio também foi ao “Bomboa”. Desta vez, a conta deu R$ 370.


Nas duas vezes, o CNPJ da Câmara Municipal de Iacanga foi indicado na nota fiscal. Na segunda viagem, no entanto, estava em vigor uma resolução do próprio órgão que regulamentava a prestação de gastos de adiantamentos para despesas com viagens dos vereadores. Segundo a norma, somente seria apta a justificar a despesa a nota que contivesse a especificação e quantidade dos produtos ou serviços, sem expressões genéricas como refeições, diversos e despesas.

Por causa da resolução municipal, o trio foi chamado para justificar por escrito suas despesas. Pediram, então, o cupom fiscal para “evitar problemas”. Em seguida, restituíram o valor à Câmara mais uma pequena quantia que havia sobrado (R$ 466,53). Assim sendo, o balancete das contas de 2018 não registra nenhuma despesa com “jantar”, restringindo-se apenas como “almoço” e “lanche”.


O controle interno da pasta estranhou a prestação e pediu uma análise mais atenta da despesa. Em uma rápida pesquisa na internet, os servidores descobriram que o restaurante Bomboa possui “forte apelo erótico”. No site do estabelecimento é divulgada uma festa junina, além da “noite do biquíni” e “noite da coelhinha”. Os eventos ocorreram nas datas em que os vereadores estiveram no local, apontou a denúncia. O hotel escolhido pelos parlamentares ficava a apenas 200 metros do local.

A conclusão do MP aponta que os cinco vereadores “tiveram a ousadia de gastar dinheiro público em um local que é predominantemente destinado à satisfação da lascívia”. Por fim, o órgão denunciou os parlamentares por enriquecimento ilícito e dano moral coletivo. “A conduta representa um escárnio para com o dinheiro público e justifica uma punição severa”, argumenta — cada um dos condenados deverá pagar uma multa no valor de R$ 20 mil.


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Outro lado

Ainda segundo a denúncia, os vereadores foram ouvidos pela Promotoria de Justiça. Leonel Roma e Dorival Ferreira de Campos Filho admitiram que foram ao “restaurante” na companhia de Vagner Rodrigo Crepaldi. “Começou uma banda a tocar, um show de luzes e muitas mulheres vestidas com roupas curtas, de maneira provocante”, disse um deles no depoimento.

Dorival Lupiano de Assis não confirmou que esteve no estabelecimento, “reservando-se no direito de permanecer calado”. Rafael Geovani Delaporta Sedemak negou que foi ao Bomboa. Segundo o seu depoimento, o vereador não jantou naquele dia e “que se satisfez com um salgado no bar da frente do hotel”.

Procurados pela reportagem, nenhum dos envolvidos se pronunciaram até o momento. O R7 também procurou o restaurante Bomboa, mas não obteve retorno.

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