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‘A maioria das pessoas com diabetes não apresenta sintoma nenhum’, alerta endocrinologista

Em duas décadas, diagnósticos da doença dispararam no Brasil

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Diagnóstico de diabetes no Brasil cresceu 135% entre 2008 e 2026.
  • Obesidade e hipertensão têm relação direta com o aumento da diabetes.
  • Doença é frequentemente assintomática; prevenção é crucial através de hábitos saudáveis.
  • Recomendação para rastreio em grupos de risco e a importância de ações de saúde pública no combate à doença.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

No intervalo entre 2008 e 2026, o número de diagnósticos por diabetes no Brasil cresceu 135%. Dados da Pesquisa Vigitel Brasil revelam que o índice saiu de 5,5% para 12,9% ao longo do período. Um aumento de hipertensão, obesidade e excesso de peso nos brasileiros também foi identificado.

Para compreender melhor o que motivou o aumento e os cuidados necessários com o diabetes, o Hora News desta quinta (29) entrevistou Paulo Miranda, coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.


Segundo ele, todas as doenças registradas têm conexão com o aumento de peso: “A obesidade, a hipertensão, um vai trazendo o outro. Hoje chamamos isso de um contínuo cardiorrenal metabólico, ou seja, o excesso de gordura com uma atividade metabólica inadequada, aumenta o risco de diabetes, hipertensão, dislipidemias e afeta a saúde renal”.

Miranda afirma que a diabetes é uma doença silenciosa, que não demonstra muitos sintomas. “A maioria das pessoas com diabetes não apresenta sintoma nenhum”, ele revela. Sendo assim, o mais importante é prevenir a enfermidade com hábitos saudáveis e a manutenção do peso corporal.


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O médico também recomenda que pessoas acima de 35 anos, com histórico familiar, obesas, mulheres com histórico de diabetes gestacional ou síndrome de ovário policístico façam o rastreio através da dosagem da glicose. “Não há uma necessidade absoluta de exames anuais, a cada três anos ou mesmo a cada cinco anos. Depende muito do grupo de risco que você pertence”, divulga o especialista.

Ele recomenda que os interessados consultem o site da Sociedade Brasileira de Diabetes e realizem um questionário que indica se o paciente tem maior ou menor risco em ser diagnosticado. Após a resposta, o paciente pode levar o mesmo resultado ao médico para poder ser avaliado. Entretanto, Miranda acredita que não é apenas papel do afetado procurar ajuda. A saúde pública também pode contribuir no combate à doença.


O incentivo ao deslocamento ativo e à prática de atividades físicas auxiliaria muito no tratamento, de acordo com o endocrinologista. Fora essas medidas, taxar alimentos ultraprocessados e refrigerantes poderia diminuir os índices altos de obesidade e diabetes.

A taxação de alimentos ultraprocessados seria uma maneira de desacelerar o aumento da obesidade no Brasil Reprodução/Record News

O doutor ainda abordou as dificuldades enfrentadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para tratar o problema “Nós não temos disponível no nosso sistema público de saúde nenhuma medicação anti-obesidade, ou seja, a pessoa que hoje tem sobrepeso ou obesidade no Brasil e depende do SUS para o seu tratamento, não encontra nenhuma medicação para essas condições”.


Mesmo com as dificuldades, Miranda afirma que, graças aos avanços na medicina, hoje é possível conviver com a doença e aproveitar a vida: “Hoje temos conhecimento sobre as mudanças de hábito necessárias e temos um grande arsenal terapêutico para controlar a doença e de reduzir o risco destas complicações. Então, a pessoa que tem o seu diagnóstico precoce vai conseguir reduzir o risco destas complicações e ter uma vida longa e plena”.

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