Logo R7.com
RecordPlus

Análise: desigualdade social está ligada ao aumento da obesidade no Brasil

‘Em muitos lugares no Brasil é mais fácil comprar um pacotinho de batata do que um legume fresco’, afirma especialista

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mais da metade da população brasileira apresenta excesso de peso, com obesidade aumentando ao longo dos anos.
  • Desigualdade social influencia na alimentação, tornando alimentos saudáveis menos acessíveis.
  • Tratamento da obesidade envolve mudanças de hábitos diários e atenção constante à saúde.
  • Especialista pede políticas públicas que promovam transporte, lazer e a taxação de ultraprocessados para melhorar a saúde da população.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mais da metade dos brasileiros têm excesso de peso. 62,6%, para ser mais exato. Não só isso, mas ao longo de 18 anos a obesidade dobrou. Antes, 11,8% da população era afetada, hoje o índice é de 25,7%. Os dados são do sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico do Ministério da Saúde. O relatório também apontou que o diagnóstico médico de diabetes e hipertensão em adultos aumentou.

O endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Rodrigo Lamounier, lamenta os resultados e reconhece a ameaça: “Sem dúvida nenhuma, o ganho de peso é um problema que a saúde pública no mundo todo tem enfrentado pelos últimos 40 anos. [...] No Brasil não é diferente”.


No Brasil e no mundo, a obesidade tem se tornado uma doença cada vez mais preocupante Reprodução/RECORD NEWS

O profissional apontou, durante o Conexão Record News desta quinta (29), que a obesidade é mais comum em países em desenvolvimento e que classes menos favorecidas costumam apresentar a maioria dos afetados, o que leva ao desenvolvimento de outras doenças, como a diabetes.

Ao ser questionado sobre o que alguém pode fazer para deixar de ser obeso, Lamounier afirmou que pequenas mudanças na rotina já podem trazer resultados, como caminhar até o trabalho e fazer atividades físicas, entretanto ele destacou que o tratamento da doença também está associado à desigualdade social. “Em muitos lugares no Brasil é muito mais fácil comprar um pacotinho de batata do que um legume fresco ou uma fruta, não só do ponto de vista da disponibilidade, mas também do custo”.


Segundo o entrevistado, uma maneira de ficar mais atento à boa alimentação é seguir o Guia Alimentar da População Brasileira, que considera os hábitos culturais da população e incentiva o abandono de alimentos ultraprocessados. Ainda assim, existem casos em que o tratamento deve ser feito à base de medicamentos, mas o endocrinologista afirma: “O fundamental é construir um hábito e uma rotina diária com mais atividade física e com calorias de alta qualidade”.

Leia Mais

O esforço deve ser permanente, uma vez que a obesidade é um problema que requer monitoramento constante. “Manter uma perda significativa de peso ao longo dos anos, é uma coisa muito difícil [...] o mais comum é as pessoas fazerem o tratamento e depois relaxarem um pouco [...], mas o organismo se adapta metabolicamente para que a pessoa retorne ao peso que tinha antes”, explica o médico.


Não basta apenas manter os cuidados necessários, também é necessário evitar o uso abusivo de substâncias que podem ajudar a situação dos afetados, como as canetas emagrecedoras. Na análise do especialista, banalizar o medicamento diminui a efetividade dele; além disso, Lamounier enxerga novamente uma barreira social devido ao custo elevado do remédio: “Muitos que precisam usá-lo não têm acesso, então obviamente não vai ser só o remédio que vai resolver o problema populacional de obesidade. Políticas públicas precisam entrar na discussão”.

Acessibilidade de ultraprocessados no Brasil é um problema que deve ser analisado, segundo entrevistado Reprodução/Record News

Ele aponta que medidas como maiores investimentos em transportes públicos, calçadas e áreas de lazer poderiam incentivar as pessoas a optar por caminhadas ao invés dos próprios veículos. Além disso, ele propôs a taxação de alimentos ultraprocessados em favor de alimentos naturais e orgânicos. Na opinião do endocrinologista, os avanços que ocorreram nos lanches escolares e na diminuição dos ultraprocessados são uma grande conquista.


Ele aborda o desafio da obesidade infantil e declara que em mais de 90% dos casos uma criança obesa tende a tornar-se um adulto obeso. O problema, aliás, começa ainda antes, durante a gestação: “Se a criança nasce grande, ela tem um risco maior de ter obesidade e diabetes na vida adulta [...] e a tendência natural é o aumento de peso com a idade”. Apesar disso, ele tranquiliza, “não é porque nasceu grande que há uma condenação de vida, o potencial é pleno, vai ter uma vida maravilhosa, mas requer cuidados”.

Search Box

Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.