A poluição no ar em São Paulo se tornou ainda mais evidente nos últimos dias, com a região metropolitana envolta em uma névoa seca que impede até mesmo que vejamos o céu azul. As condições do tempo fazem com que uma série de poluentes não se dissipe, representando um risco à saúde. Nesta terça-feira (10), a cidade de São Paulo registra uma concentração de MP2.5 (material particulado com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros) 14 vezes maior do que o limite máximo estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O Conselho de Recursos do Ar da Califórnia afirma que o MP “não é um poluente único, mas sim uma mistura de muitas espécies químicas”.“É uma mistura complexa de sólidos e aerossóis composta de pequenas gotículas de líquido, fragmentos sólidos secos e núcleos sólidos com revestimentos líquidos. As partículas variam amplamente em tamanho, forma e composição química e podem conter íons inorgânicos, compostos metálicos, carbono elementar, compostos orgânicos e compostos da crosta terrestre.”Um artigo publicado em junho do ano passado na revista científica Current Problems in Cardiology ressalta que essas partículas podem entrar com muita facilidade nos pulmões e alcançar o sistema cardiovascular, sendo relacionadas a uma série de problemas de saúde. Os cientistas enfatizam que a exposição prolongada ao MP2.5 está fortemente associada a um aumento nos riscos de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. A poluição do ar é descrita como responsável por cerca de 9 milhões de mortes em todo o mundo no ano de 2019, sendo que 61,9% delas foram causadas por doenças cardiovasculares. O MP10 (material particulado com diâmetro inferior a 10 micrômetro) também está presente no ar de São Paulo em quantidades acima das recomendadas. Segundo a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), essas partículas podem agravar quadros de asma, causar dificuldade para respirar, irritar as vias aéreas, provocando tosse, por exemplo, além de diminuir a capacidade dos pulmões. Tanto o MP2.5 quanto o MP10 podem causar problemas de saúde em um período curto de exposição (24 horas), especialmente em crianças e idosos. O ar de São Paulo possui ainda outros poluentes, embora em concentrações menores. O ozônio é responsável, também, por irritar as vias aéreas e causar problemas respiratórios, acimo como o dióxido de nitrogênio. Já o dióxido de enxofre é associado a quadros de irritação nos olhos. Diante de um cenário como o atual, é fundamental evitar ao máximo a exposição ao material particulado. Algumas medidas podem ser úteis: Além disso, beber bastante água, lavar as narinas com soro fisiológico e utilizar colírio ajuda a aliviar o desconforto imediato causado pela poluição.