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Atual surto de gripe aviária H5N1 acende alerta na comunidade científica

Cerca de 15 milhões de aves já foram abatidas ou morreram por causa da doença entre 2020 e 2021; vírus pode saltar dos animais para pessoas

Saúde|Fernando Mellis, do R7

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Em janeiro, o Reino Unido detectou caso de transmissão do H5N1 para humano
Em janeiro, o Reino Unido detectou caso de transmissão do H5N1 para humano

O mundo vive uma ameaça constante de um tipo de vírus da gripe que já causou a morte de milhões de aves e pode ser transmitido para seres humanos. O alerta foi feito em um texto assinado pelos cientistas Michelle Wille (Universidade de Sydney, Austrália) e Ian G. Barr (Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade/Universidade de Melbourne, Austrália), publicado nesta terça-feira (26) na revista científica Science.

O agente infeccioso em questão é o H5N1, uma cepa do HPAIv (vírus da gripe aviária de alta patogenicidade, na sigla em inglês), que tem causado um "surto sem precedentes", de acordo com os autores. 

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O vírus é, em geral, carregado por aves selvagens sem necessariamente representar um grande risco a elas. Todavia, quando há migração ou interação com aves domésticas ou destinadas ao abate, existe risco de adoecimento e morte de grandes populações destas últimas, segundo o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

Embora o H5N1 já tenha se tornado endêmico em alguns países (Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia e Vietnã), foram registrados surtos recentes no Canadá e nos Estados Unidos.

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Segundo os autores do artigo na Science, esse tipo de vírus da gripe, ainda restrito a animais, está rapidamente se tornando uma preocupação global.

"A onda em curso de 2021-2022 da gripe aviária H5N1 é sem precedentes em sua rápida disseminação e frequência extremamente alta de surtos em aves e aves selvagens, e é uma ameaça potencial contínua aos seres humanos", destacam os cientistas.

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Eles chamam a atenção para 15 milhões de aves abatidas ou mortas devido a infecções pelo HPAIv somente entre 2020 e 2021.

"Talvez o mais preocupante seja a capacidade do vírus de infectar humanos. Embora as infecções de aves para humanos tenham sido raras nas últimas duas décadas, e a transmissão sustentada de humano para humano ainda não tenha sido documentada, os vírus da gripe aviária altamente patogênicos representam um potencial risco pandêmico."

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No Reino Unido, um caso de infecção por vírus de gripe aviária H5N1 em humano foi reportado em janeiro deste ano.

"A pessoa adquiriu a infecção por contato muito próximo e regular com um grande número de aves infectadas, que manteve dentro e ao redor de sua casa por um período prolongado de tempo", informou na ocasião a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido, acrescentando que a população jamais deve ficar em contato com aves doentes ou mortas.

Quanto mais um vírus circula, especialmente se estiver em contato com outras espécies, maior é a capacidade dele de sofrer mutações que lhe confiram eficiência na infecção de outros animais ou até de humanos.

Michelle Wille e Ian G. Barr sugerem medidas para minimizar os riscos do vírus da gripe aviária H5N1.

A principal delas é tratar com mais seriedade os surtos do vírus, especialmente em ambientes onde humanos estão envolvidos, além de investimentos em vigilância de aves e aves selvagens.

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