Saúde Campanha de vacinação contra a pólio termina hoje, com metade das crianças sem serem vacinadas

Campanha de vacinação contra a pólio termina hoje, com metade das crianças sem serem vacinadas

Iniciativa atingiu apenas 54,21% do público-alvo até o momento, situação que pode levar à reintrodução do vírus no país

  • Saúde | Do R7, com Agência Brasil

Resumindo a Notícia

  • Campanha de vacinação contra a pólio termina hoje (30)
  • Iniciativa segue sem conseguir vacinar metade das crianças consideradas público-alvo
  • Situação pode levar à reintrodução do vírus da pólio no país
  • Apenas Paraíba e Amapá atingiram mais de 80% da cobertura vacinal contra a doença
País pretende reforçar a cobertura vacinal contra a pólio para evitar a reintrodução do vírus

País pretende reforçar a cobertura vacinal contra a pólio para evitar a reintrodução do vírus

Fernando Frazão/Agência Brasil

Termina hoje (30) em todo o país a Campanha de Vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação. O objetivo é reforçar as coberturas vacinais contra a pólio e outras doenças que podem ser prevenidas, além de evitar a reintrodução de vírus que já foram eliminados no Brasil.

A campanha chegou a ser prorrogada pelo Ministério da Saúde por causa da baixa adesão. As doses estão disponíveis em mais de 40 mil salas de vacinação. A meta da pasta é imunizar 95% do público-alvo, formado por 11.572.563 crianças menores de 5 anos, segundo o vacinômetro do Ministério da Saúde.

Crianças de 1 a 4 anos devem receber uma dose da VOP (Vacina Oral Poliomielite), desde que já tenham recebido as três doses da VIP (Vacina Inativada Poliomielite) previstas no esquema básico.

De acordo com dados do vacinômetro do ministério, até o momento 54,21% do público-alvo foi imunizado. O índice representa 6.273.472 doses contra a pólio distribuídas durante a campanha na faixa etária estabelecida.

Em todas as idades, a cobertura vacinal não atingiu mais de 60%. A faixa etária que mais vacinou foi a de 1 ano, que atingiu 57,23% do público-alvo.

Até o momento, os números mostram que os estados com a pior taxa de vacinação contra a doença são Acre, Rondônia e Roraima, sendo a do último a mais baixa, com 23,17%.

Vale ressaltar que um município localizado no interior de Roraima, atualmente, investiga um caso suspeito de poliomielite em uma adolescente de 14 anos.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a jovem "se encontra com boa evolução do quadro clínico, apresentando recuperação da força muscular, já movimentando os quatro membros, em fisioterapia. Ela permanece internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento, sendo acompanhada pelo serviço de neurologia da unidade".

Em contrapartida, as regiões que mais imunizaram as crianças contra o vírus da pólio foram Paraíba (86,82%), Amapá (82,55%) e Alagoas (74,65%).

Multivacinação

Para a campanha de multivacinação, as doses disponíveis são: hepatite A e B, penta (DTP/Hib/Hep B), pneumocócica 10 valente, VRH (Vacina Rotavírus Humano), meningocócica C (conjugada), febre amarela, tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba), tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba, varicela), DTP (tríplice bacteriana), varicela e HPV quadrivalente (papilomavírus humano).

Para adolescentes com idade até 15 anos, estão disponíveis as vacinas HPV, dT (dupla adulto), febre amarela, tríplice viral, hepatite B, dTpa e meningocócica ACWY (conjugada). O ministério reforça que todos os imunizantes que integram o PNI (Programa Nacional de Imunizações) são seguros e foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O ministério ressaltou que doenças já eliminadas devido à vacinação podem ser reintroduzidas no país devido às baixas coberturas, “voltando a ser um problema de saúde pública”.

O Brasil já eliminou cinco doenças por meio de vacinação: a poliomielite, a síndrome da rubéola congênita, a rubéola, o tétano materno e neonatal e a varíola.

Não há registro de infectados pelo vírus da pólio no país desde 1989 e, em 1994, o país recebeu o certificado de erradicação emitido pela Opas/OMS (Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde).

No entanto, nos últimos dez anos, a cobertura vacinal da poliomielite caiu de 96,5% (2012) para 61,3% (2021) no Brasil, um dado que acende o sinal de alerta, especialmente no momento em que a doença é detectada em alguns países.

"Vivemos no mundo de uma forma globalizada, e, quando menos esperamos, podemos ter a reintrodução de um vírus que não circulava aqui no Brasil", disse a infectologista e consultora de vacinas do Delboni Medicina Diagnóstica, da rede Dasa, Maria Isabel, em entrevista ao R7 em agosto deste ano.

Vale ressaltar que recentemente o estado de Nova York declarou estado de emergência de desastre para a poliomielite após encontrar amostras do poliovírus em águas residuais no condado de Nassau.

Os locais de vacinação, de acordo com o Ministério da Saúde, são:

• UBSs (Unidades Básicas de Saúde): vacinação de crianças, adolescentes e adultos — funcionamento das 7h às 19h;

• AMAs/UBSs Integradas: imunização de crianças, adolescentes e adultos — funcionamento das 7h às 19h;

• Megapostos: vacinação de adolescentes e adultos — funcionamento das 8h às 17h.

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