Caneta para emagrecer pode dar complicação? Veja o que é mito e o que é risco real
Especialista esclarece dúvidas sobre pancreatite, sintomas e os erros mais comuns de quem usa GLP-1
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

As chamadas “canetas emagrecedoras” — como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro — revolucionaram o tratamento da obesidade e de problemas metabólicos. Mas, junto com a popularização, também cresceram os alertas: há notificações raras de pancreatite grave, inclusive com óbitos, em pacientes que usavam medicamentos da classe do GLP-1.
A dúvida é inevitável: essas mortes foram causadas pelas canetas?
“Existem relatos raros de pancreatite grave, incluindo óbitos, em usuários de agonistas do receptor de GLP-1. Mas esses dados não estabelecem relação causal direta. Existe uma grande diferença entre notificar um caso e comprovar que foi o uso da medicação que causou a pancreatite”, explica a nutricionista do Instituto Pump, Victória Munhoz, especialista em saúde metabólica.
Ou seja: há registros, mas isso não significa que o medicamento, sozinho, seja o responsável.
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode ser grave e exige atendimento imediato. O assunto ganhou força porque, com o aumento do uso das canetas (inclusive sem indicação médica), cresceram também os relatos de complicações em redes sociais e até em notificações oficiais em diferentes países.
Victoria reforça que, em muitos casos, os pacientes já apresentam fatores de risco independentes — e isso muda totalmente a leitura do problema. “As notificações envolvem diferentes medicamentos da classe e ocorrem, em sua maioria, em pacientes que já apresentam fatores de risco para pancreatite, como obesidade, diabetes, dislipidemia e histórico biliar.”
Em nota, a Novo Nordisk afirmou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. A empresa disse ainda que trabalha em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança dos produtos, inclusive em casos de uso indevido e sem prescrição médica. A fabricante também ressaltou que há uma advertência de classe para terapias baseadas em incretina sobre o risco de pancreatite e que, nos estudos clínicos de fase 3, a frequência de casos confirmados foi semelhante entre participantes que usaram semaglutida e os grupos comparadores (leia abaixo o comunicado na íntegra).
Com a repercussão dos casos e a enxurrada de informações nas redes sociais, o Como Ser Saudável pediu à Victoria que esclarecesse as principais dúvidas sobre os medicamentos.
O que são os medicamentos GLP-1 e por que funcionam tanto?
Os análogos de GLP-1 imitam a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Esse hormônio atua em várias frentes: melhora o controle da glicose, aumenta a saciedade, reduz o apetite e diminui o esvaziamento gástrico (o alimento fica mais tempo no estômago).
Na prática, isso faz com que a pessoa coma menos, sinta menos fome e tenha mais controle sobre o impulso alimentar. “O GLP-1 regula a glicemia, sinaliza ao cérebro que o corpo está satisfeito e diminui a velocidade do esvaziamento gástrico. A versão sintética amplifica esses efeitos e favorece o emagrecimento”.
Semaglutida, liraglutida e tirzepatida: qual a diferença?
Mesmo com o apelido de “canetas”, os medicamentos não são iguais. A especialista resume:
- Liraglutida: ação diária, potência moderada
- Semaglutida: ação semanal e maior estabilidade glicêmica
- Tirzepatida: atua em GLP-1 e GIP e é considerada a mais potente hoje para perda de peso e melhora metabólica
Essa diferença importa porque potência, adaptação do corpo e efeitos colaterais variam muito de pessoa para pessoa.

Efeitos colaterais: por que dá náusea, refluxo e intestino preso?
O efeito mais conhecido dessas medicações é a redução do apetite. Mas o mecanismo por trás disso pode gerar desconfortos importantes, principalmente nas primeiras semanas. “Quando o esvaziamento gástrico fica muito lento, pode causar náuseas, refluxo, distensão abdominal e até aversão alimentar”, revela Victória.
Além disso, a constipação aparece com frequência — e, muitas vezes, por um conjunto de fatores:
- menor ingestão de comida
- pouca fibra
- baixa hidratação
- redução da motilidade intestinal
Um risco pouco falado: perda de massa magra
Outro ponto de atenção, principalmente para quem quer emagrecer com saúde, é a perda de massa muscular. Victória explica que isso acontece porque, ao sentir menos fome, muitas pessoas passam a comer “qualquer coisa” ou simplesmente comem pouco demais — e a proteína costuma ser a primeira a desaparecer do prato. “Muitas pessoas, ao sentirem pouca fome ou enjoo, deixam de comer adequadamente — e a proteína é a primeira a ser negligenciada. O resultado pode ser queda de força, flacidez e metabolismo mais lento".
Por que algumas pessoas travam no emagrecimento mesmo usando caneta?
Muita gente acredita que a caneta “faz tudo sozinha”. Mas na prática, o corpo responde ao contexto. A especialista explica que os platôs podem acontecer por:
- baixa ingestão de proteína e calorias
- constipação severa
- resistência à insulina
- adaptação metabólica
- uso inadequado de dose
- sobrecarga hepática em alguns casos
“Na maioria das vezes, não é o medicamento que falha — é o contexto que não acompanha.”
O grande erro: achar que o remédio substitui hábitos
O GLP-1 reduz o apetite. Mas ele não ensina ninguém a comer. E é exatamente aí que mora o risco do reganho de peso depois. “Sem mudança de comportamento alimentar, o paciente termina o tratamento sem autonomia. O GLP-1 tira a fome, mas não ensina ninguém a comer”, alerta a nutricionista.
Quando o medicamento é interrompido, o apetite volta — e, se a pessoa não construiu rotina alimentar e comportamento, o peso tende a retornar.
E quando o paciente tem gordura no fígado ou TGO/TGP alterados?
Esse é um ponto que muita gente ignora. Para a maioria, os análogos de GLP-1 podem melhorar o quadro de fígado gorduroso. Mas em casos mais delicados, é obrigatório ter supervisão.
“Para a maioria, os análogos são benéficos para a saúde do fígado. Porém, quando as enzimas estão mais alteradas, é necessário avaliar a causa, ajustar doses e ter supervisão médica.”
“Perco a fome, mas não perco a compulsão”: isso é comum?
Sim — e esse é um dos pontos mais importantes da matéria. A compulsão não é fome. Ela é emocional, comportamental e muitas vezes ligada a ansiedade, estresse e padrões antigos.
“Compulsão não é fome fisiológica. O GLP-1 modula apetite, mas não trata a raiz emocional.”
Além disso, algumas pessoas relatam ansiedade, irritabilidade e oscilações de humor, o que pode ser agravado por:
- baixa ingestão calórica
- deficiência nutricional
- glicemia instável
- adaptação emocional ao processo de reeducação
Quais deficiências nutricionais são mais comuns?
Comendo menos e, muitas vezes, com dieta desorganizada, algumas deficiências aparecem com frequência, segundo a especialista:
- vitamina D
- ferro
- B12
- magnésio
- complexo B
- ômega-3
Dor forte na barriga pode ser sinal de pancreatite: quando procurar socorro
“Apesar de ser um evento raro, dor abdominal intensa e persistente deve sempre ser considerada um sinal de alerta, exigindo avaliação médica imediata e suspensão do uso até investigação adequada”, alerta Victória.
Para reduzir riscos e melhorar tolerabilidade, ela recomenda estratégias como:
- evitar refeições muito gordurosas
- fracionar a alimentação
- reduzir ou evitar álcool
- manter boa hidratação
- controlar dislipidemias
O mito que precisa cair: “é só tomar e emagrecer”
No fim, Victoria resume o ponto mais importante: “O principal mito é acreditar que o medicamento faz tudo sozinho. Ele facilita o processo, mas é o estilo de vida — alimentação, sono, treino e comportamento — que determina se o resultado será duradouro.”
Leia a nota oficial da Novo Nordisk:
“A segurança dos pacientes é uma prioridade para a Novo Nordisk, e a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança de nossos produtos, incluindo casos de uso indevido e sem prescrição médica. Além disso, operamos canais ativos de denúncia e monitoramento global para coibir práticas irregulares e assegurar a proteção da saúde da população.
Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. Atualmente, existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®. Este tema está explicado em bula na seção “Quais males este medicamento pode me causar?“. Importante ressaltar que o perfil de segurança dos medicamentos permanece inalterado e segue em contínuo acompanhamento.
Nos programas clínicos de fase 3 (SUSTAIN, PIONEER, STEP), a frequência e a proporção de participantes que apresentaram pancreatite confirmada foram similares entre semaglutida e comparador. A maioria dos eventos foi classificada como pancreatite aguda leve. Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida ou liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, assim como sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.
Os medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição, com acompanhamento de profissional habilitado. Além disso, a compra dos medicamentos deve ser feita em estabelecimentos credenciados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O órgão tem feito um trabalho essencial ao alertar sobre os riscos do uso indiscriminado e fora das indicações aprovadas em bula, sem acompanhamento médico ou com medicamentos irregulares e falsificados. Cabe reforçar ainda que os casos relatados pela ANVISA seguem em investigação, sem relação confirmada de causalidade com o uso de medicamentos GLP-1.
Há mais de 100 anos a Novo Nordisk desenvolve inovações para melhorar a qualidade de vida das pessoas com segurança e robustez científica a partir de estudos clínicos. A molécula semaglutida foi avaliada em programas robustos de desenvolvimento clínico com mais de 54.000 pacientes expostos no mundo todo e a exposição pós comercialização é superior a 33 milhões de pacientes ao ano".
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