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Caneta para emagrecer pode dar complicação? Veja o que é mito e o que é risco real

Especialista esclarece dúvidas sobre pancreatite, sintomas e os erros mais comuns de quem usa GLP-1

Saúde|Renata GarofanoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Medicamentos como Ozempic e Wegovy podem causar pancreatite, mas a relação não é direta.
  • O uso inadequado e sem supervisão médica tem levado a complicações e relatos de efeitos colaterais.
  • A perda de controle sobre a alimentação pode resultar em reganho de peso após a interrupção dos medicamentos.
  • O estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e exercícios, é essencial para manter resultados duradouros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Canetas emagrecedoras: uso sem acompanhamento aumenta perigos. Saiba os sinais que não podem ser ignorados. InteligênciaArtificial/ChatGPT

As chamadas “canetas emagrecedoras” — como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro — revolucionaram o tratamento da obesidade e de problemas metabólicos. Mas, junto com a popularização, também cresceram os alertas: há notificações raras de pancreatite grave, inclusive com óbitos, em pacientes que usavam medicamentos da classe do GLP-1.

A dúvida é inevitável: essas mortes foram causadas pelas canetas?


“Existem relatos raros de pancreatite grave, incluindo óbitos, em usuários de agonistas do receptor de GLP-1. Mas esses dados não estabelecem relação causal direta. Existe uma grande diferença entre notificar um caso e comprovar que foi o uso da medicação que causou a pancreatite”, explica a nutricionista do Instituto Pump, Victória Munhoz, especialista em saúde metabólica.

Ou seja: há registros, mas isso não significa que o medicamento, sozinho, seja o responsável.


A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode ser grave e exige atendimento imediato. O assunto ganhou força porque, com o aumento do uso das canetas (inclusive sem indicação médica), cresceram também os relatos de complicações em redes sociais e até em notificações oficiais em diferentes países.

Victoria reforça que, em muitos casos, os pacientes já apresentam fatores de risco independentes — e isso muda totalmente a leitura do problema. “As notificações envolvem diferentes medicamentos da classe e ocorrem, em sua maioria, em pacientes que já apresentam fatores de risco para pancreatite, como obesidade, diabetes, dislipidemia e histórico biliar.”


Em nota, a Novo Nordisk afirmou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. A empresa disse ainda que trabalha em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança dos produtos, inclusive em casos de uso indevido e sem prescrição médica. A fabricante também ressaltou que há uma advertência de classe para terapias baseadas em incretina sobre o risco de pancreatite e que, nos estudos clínicos de fase 3, a frequência de casos confirmados foi semelhante entre participantes que usaram semaglutida e os grupos comparadores (leia abaixo o comunicado na íntegra).

Com a repercussão dos casos e a enxurrada de informações nas redes sociais, o Como Ser Saudável pediu à Victoria que esclarecesse as principais dúvidas sobre os medicamentos.


O que são os medicamentos GLP-1 e por que funcionam tanto?

Os análogos de GLP-1 imitam a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Esse hormônio atua em várias frentes: melhora o controle da glicose, aumenta a saciedade, reduz o apetite e diminui o esvaziamento gástrico (o alimento fica mais tempo no estômago).

Na prática, isso faz com que a pessoa coma menos, sinta menos fome e tenha mais controle sobre o impulso alimentar. “O GLP-1 regula a glicemia, sinaliza ao cérebro que o corpo está satisfeito e diminui a velocidade do esvaziamento gástrico. A versão sintética amplifica esses efeitos e favorece o emagrecimento”.

Semaglutida, liraglutida e tirzepatida: qual a diferença?

Mesmo com o apelido de “canetas”, os medicamentos não são iguais. A especialista resume:

  • Liraglutida: ação diária, potência moderada
  • Semaglutida: ação semanal e maior estabilidade glicêmica
  • Tirzepatida: atua em GLP-1 e GIP e é considerada a mais potente hoje para perda de peso e melhora metabólica

Essa diferença importa porque potência, adaptação do corpo e efeitos colaterais variam muito de pessoa para pessoa.

Canetas emagrecedoras: o erro comum que aumenta efeitos colaterais e trava o emagrecimento Folha Vitória

Efeitos colaterais: por que dá náusea, refluxo e intestino preso?

O efeito mais conhecido dessas medicações é a redução do apetite. Mas o mecanismo por trás disso pode gerar desconfortos importantes, principalmente nas primeiras semanas. “Quando o esvaziamento gástrico fica muito lento, pode causar náuseas, refluxo, distensão abdominal e até aversão alimentar”, revela Victória.

Além disso, a constipação aparece com frequência — e, muitas vezes, por um conjunto de fatores:

  • menor ingestão de comida
  • pouca fibra
  • baixa hidratação
  • redução da motilidade intestinal

Um risco pouco falado: perda de massa magra

Outro ponto de atenção, principalmente para quem quer emagrecer com saúde, é a perda de massa muscular. Victória explica que isso acontece porque, ao sentir menos fome, muitas pessoas passam a comer “qualquer coisa” ou simplesmente comem pouco demais — e a proteína costuma ser a primeira a desaparecer do prato. “Muitas pessoas, ao sentirem pouca fome ou enjoo, deixam de comer adequadamente — e a proteína é a primeira a ser negligenciada. O resultado pode ser queda de força, flacidez e metabolismo mais lento".

Por que algumas pessoas travam no emagrecimento mesmo usando caneta?

Muita gente acredita que a caneta “faz tudo sozinha”. Mas na prática, o corpo responde ao contexto. A especialista explica que os platôs podem acontecer por:

  • baixa ingestão de proteína e calorias
  • constipação severa
  • resistência à insulina
  • adaptação metabólica
  • uso inadequado de dose
  • sobrecarga hepática em alguns casos

“Na maioria das vezes, não é o medicamento que falha — é o contexto que não acompanha.”

O grande erro: achar que o remédio substitui hábitos

O GLP-1 reduz o apetite. Mas ele não ensina ninguém a comer. E é exatamente aí que mora o risco do reganho de peso depois. “Sem mudança de comportamento alimentar, o paciente termina o tratamento sem autonomia. O GLP-1 tira a fome, mas não ensina ninguém a comer”, alerta a nutricionista.

Quando o medicamento é interrompido, o apetite volta — e, se a pessoa não construiu rotina alimentar e comportamento, o peso tende a retornar.

E quando o paciente tem gordura no fígado ou TGO/TGP alterados?

Esse é um ponto que muita gente ignora. Para a maioria, os análogos de GLP-1 podem melhorar o quadro de fígado gorduroso. Mas em casos mais delicados, é obrigatório ter supervisão.

“Para a maioria, os análogos são benéficos para a saúde do fígado. Porém, quando as enzimas estão mais alteradas, é necessário avaliar a causa, ajustar doses e ter supervisão médica.”

“Perco a fome, mas não perco a compulsão”: isso é comum?

Sim — e esse é um dos pontos mais importantes da matéria. A compulsão não é fome. Ela é emocional, comportamental e muitas vezes ligada a ansiedade, estresse e padrões antigos.

“Compulsão não é fome fisiológica. O GLP-1 modula apetite, mas não trata a raiz emocional.”

Além disso, algumas pessoas relatam ansiedade, irritabilidade e oscilações de humor, o que pode ser agravado por:

  • baixa ingestão calórica
  • deficiência nutricional
  • glicemia instável
  • adaptação emocional ao processo de reeducação

Quais deficiências nutricionais são mais comuns?

Comendo menos e, muitas vezes, com dieta desorganizada, algumas deficiências aparecem com frequência, segundo a especialista:

  • vitamina D
  • ferro
  • B12
  • magnésio
  • complexo B
  • ômega-3

Dor forte na barriga pode ser sinal de pancreatite: quando procurar socorro

“Apesar de ser um evento raro, dor abdominal intensa e persistente deve sempre ser considerada um sinal de alerta, exigindo avaliação médica imediata e suspensão do uso até investigação adequada”, alerta Victória.

Para reduzir riscos e melhorar tolerabilidade, ela recomenda estratégias como:

  • evitar refeições muito gordurosas
  • fracionar a alimentação
  • reduzir ou evitar álcool
  • manter boa hidratação
  • controlar dislipidemias

O mito que precisa cair: “é só tomar e emagrecer”

No fim, Victoria resume o ponto mais importante: “O principal mito é acreditar que o medicamento faz tudo sozinho. Ele facilita o processo, mas é o estilo de vida — alimentação, sono, treino e comportamento — que determina se o resultado será duradouro.”

Leia a nota oficial da Novo Nordisk:

“A segurança dos pacientes é uma prioridade para a Novo Nordisk, e a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança de nossos produtos, incluindo casos de uso indevido e sem prescrição médica. Além disso, operamos canais ativos de denúncia e monitoramento global para coibir práticas irregulares e assegurar a proteção da saúde da população.

Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. Atualmente, existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®. Este tema está explicado em bula na seção “Quais males este medicamento pode me causar?“. Importante ressaltar que o perfil de segurança dos medicamentos permanece inalterado e segue em contínuo acompanhamento.

Nos programas clínicos de fase 3 (SUSTAIN, PIONEER, STEP), a frequência e a proporção de participantes que apresentaram pancreatite confirmada foram similares entre semaglutida e comparador. A maioria dos eventos foi classificada como pancreatite aguda leve. Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida ou liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, assim como sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.

Os medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição, com acompanhamento de profissional habilitado. Além disso, a compra dos medicamentos deve ser feita em estabelecimentos credenciados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O órgão tem feito um trabalho essencial ao alertar sobre os riscos do uso indiscriminado e fora das indicações aprovadas em bula, sem acompanhamento médico ou com medicamentos irregulares e falsificados. Cabe reforçar ainda que os casos relatados pela ANVISA seguem em investigação, sem relação confirmada de causalidade com o uso de medicamentos GLP-1.

Há mais de 100 anos a Novo Nordisk desenvolve inovações para melhorar a qualidade de vida das pessoas com segurança e robustez científica a partir de estudos clínicos. A molécula semaglutida foi avaliada em programas robustos de desenvolvimento clínico com mais de 54.000 pacientes expostos no mundo todo e a exposição pós comercialização é superior a 33 milhões de pacientes ao ano".

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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