Saúde Com duração de 42 horas, insulina que dispensa horário fixo para aplicação chega ao Brasil

Com duração de 42 horas, insulina que dispensa horário fixo para aplicação chega ao Brasil

Medicamento está aprovado para portadores de diabetes tipo 1 e 2 acima de 18 anos

Com duração de 42 horas, insulina que dispensa horário fixo para aplicação chega ao Brasil

Atualmente, o mercado brasileiro comercializa insulina com o máximo de tempo de duração de 24 horas

Atualmente, o mercado brasileiro comercializa insulina com o máximo de tempo de duração de 24 horas

Thinkstock

Nem todos os diabéticos utilizam insulina para controlar a doença, mas o grupo que precisa do hormônio para sobreviver sabe que é extremamente importante aplicar o medicamento na hora certa. A boa notícia é que já está disponível no mercado brasileiro uma insulina com duração de até 42 horas e sem necessidade de horário fixo para a aplicação da dose.

Comercializada pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk com o nome de Tresiba (degludeca), a insulina basal de ação ultralonga tem efeito plano e estável, ou seja, sem picos glicêmicos e promete facilitar a adesão ao tratamento, diz o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do CPClin (Centro de Pesquisas Clínicas), de São Paulo.

― Depois do antibiótico, a insulina é o que mais salvou vidas na história da humanidade. No ano 2000, com o lançamento dos análogos de insulina de ação lenta, o controle do diabetes melhorou muito, mas não o suficiente. Com a chegada de uma insulina com maior tempo de duração, esperamos melhorar a qualidade de vida e proporcionar mais flexibilidade ao paciente.

Atualmente, o mercado brasileiro comercializa insulina com o máximo de tempo de duração de 24 horas. Embora a aplicação de Tresiba precise ser diária, como todas que existem hoje em dia, a vantagem é poder escolher o horário para tomar a dose, “sem a necessidade de ajustar o seu dia em função do medicamento”, enfatiza Eliaschewitz.

― É importante lembrar que o papel da insulina basal [ação lenta e ultralonga] é diferente da insulina de ação rápida. Enquanto a primeira controla a taxa de glicose produzida pelo fígado ao longo do dia, a outra é usada antes das refeições.

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Outro benefício do novo produto é a redução dos episódios de hipoglicemia, especialmente noturna, comuns nos pacientes com diabetes que usam insulina, avisa o endocrinologista Antônio Roberto Chacra, chefe do Centro de Diabetes da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

― A hipoglicemia é uma das principais barreiras para o paciente aderir à insulinoterapia. Além disso, ele associa o uso do medicamento ao agravamento do quadro, quando na realidade é uma forma de controlar melhor a doença.

A hipoglicemia é a queda da taxa de açúcar no sangue, sendo que os sintomas do quadro costumam aparecer quando essa taxa está abaixo de 70 mg/dl. Entre os sinais do quadro, Chacra cita “tremor, taquicardia, sensação de fome, sudorese, tontura e até coma”.

― Para reverter a situação, a recomendação é que o paciente consuma açúcar, como um copo de suco de laranja, bala, refrigerante normal ou algum alimento doce.

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A insulina Tresiba já está disponível em todo o Brasil pelo preço sugerido de R$ 120. Por enquanto, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não autorizou o uso em crianças e grávidas.

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