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Covid-19: gás lacrimogêneo e spray de pimenta espalham mais a doença

Enquanto centenas protestam nos Estados Unidos, especialistas assinam um documento pedindo a restrição do uso desses agentes químicos

Saúde|Deborah Giannini, do R7

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Policiais fazem barreira em Minnesota durante protesto contra racismo
Policiais fazem barreira em Minnesota durante protesto contra racismo

O spray de pimenta e o gás lacrimogêneo, utilizados pela polícia para dispersar manifestantes durante protestos, contribuem para disseminar a covid-19, agravando ainda mais a pandemia, segundo especialistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian em reportagem publicada neste sábado (6).

Os médicos fazem um alerta diante do uso exacerbado desses produtos químicos em manfestações de protesto contra o racismo nos Estados Unidos e em outros países, que estão ocorrendo em meio à pandemia, desencadeadas pelo assassinato do norte-americano George Floyd, um cidadão negro, por um policial branco.


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Cerca de 1.300 médicos e especialistas em saúde pública assinaram um documento esta semana solicitando que a polícia pare de usar os agentes químicos em protestos em Mineápolis, onde ocorreu o crime, Filadélfia, Nova York e outras cidades norte-americanas. 


O uso de gás lacrimogêneo pode ser letal, especialmente para idosos e pessoas com comorbidades, incluindo asma, segundo especialistas, ressalta a publicação, que frisa ainda que vários tratados internacionais, como a Convenção de Genebra, proíbem sua utilização em guerras.

Segundo o Guardian, algumas cidades concordaram em restringir seu uso, como Seattle e Denver, e o Estado da Califórnia.


O spray de pimenta e o gás lacrimogêneo atingem as vias aéreas, provocando forte irritação e engasgo, o que leva às pessoas a retirarem suas máscaras. Como a covid-19 se prolifera por meio de gotículas de saliva que ficam suspensas no ar, isso contribuiria para a disseminação da doença, conforme destacou o infectologista Peter Chin-Hong, um dos signatários do documento.

Esses agentes químicos também fazem com que lágrimas, saliva e muco fluam dos olhos e narizes dos manifestantes, segundo o médico. "Isso faz com que as pessoas gritem, impulsionando as gotículas desses fluidos que podem estar carregando coronavírus, dando a elas superpoderes, espalhando o vírus a uma distância bem maior que um metro de oitenta", disse ao Guardian.


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Esses produtos podem provocar ainda irritação no nariz, boca e pulmões, causando inflamação, que infraquece a capacidade do organismo de resistir à infecção, ainda destacou o infectologista. 

O uso em larga escala desses agentes foi apontado pelos especialistas como "muito preocupante". "A escalada do uso de gás lacrimogêneo que estamos vendo agora parece realmente sem precedentes", afirmou Sven-Eric Jordt, professor de anestesiologia na Duke University. 

Embora sejam considerados não letais, são projetados para serem usados ​​com moderação em amplos espaços abertos, ressaltou o médico. 

O jornal destaca que, durante a revolta da Primavera Árabe, em 2010, manifestantes relataram lesões nos pulmões após serem expostos a altas concentrações de gás lacrimogêneo, além disso, estudos no Chile e no Bahrein associaram a exposição ao gás lacrimogêneo a abortos.

Embora os cientistas ainda não tenham estudado como o gás lacrimogêneo afeta a capacidade do corpo de resistir a covid-19, é plausível que a exposição possa tornar as pessoas mais vulneráveis ​​ao novo coronavírus, disse Chin-Hong ao Guardian.

Um estudo de 2014 constatou que recrutas militares expostos ao gás lacrimogêneo apresetaram maior risco de contrair doenças respiratórias, como gripe e pneumonia, ainda segundo a publicação. "Ter gás lacrimogêneo sobre você é como se houvesse alguém fumando em seus pulmões", disse ele. "É como qualquer outra poluição e poluição pode aumentar os riscos de doenças respiratórias."

No documento, os especialistas pediram que a polícia não mantenha manifestantes em espaços confinados como prisões e carros de polícia, onde o risco de transmissão de coronavírus ainda é maior. Embora se preocupem com a disseminação do coronavírus durante grandes manifestações, pedem também que autoridades que não impeçam protestos sob o pretexto de manter a saúde pública.

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