Saúde Cresce número de mortes de crianças em alta inédita no país

Cresce número de mortes de crianças em alta inédita no país

Aumento foi entre bebês até 1 ano e crianças entre 1 e 4 anos, além da taxa de mortalidade infantil, que subiu pela 1ª vez em 26 anos; pobreza é causa 

Cresce número de mortes de crianças em alta inédita no país

Crianças que vivem na pobreza são as mais afetadas

Crianças que vivem na pobreza são as mais afetadas

Ernesto Rodrigues/20.10.2011/Estadão Conteúdo

A taxa de mortalidade infantil, relação entre o número de nascimentos e mortes de crianças até 1 ano de idade, teve alta inédita em 26 anos, desde que o programa de monitoramento do Ministério da Saúde foi criado. Além disso, houve aumento do número de mortes em duas faixas etárias: até 1 ano de vida e entre 1 e 4 anos.

A taxa foi de 14 mortes em cada mil nascimentos em 2016, o que representa um crescimento de cerca de 5% em relação ao ano anterior. Já em relação aos números absolutos, foram registradas 11.214 mortes de bebês até 1 ano de vida em 2016, ou seja, 200 a mais que 2015, e 17.426 mortes entre 1 e 4 anos, 830 adicionais.

“Isso é um fato inédito. Quando o número absoluto aumenta em uma situação que vem caindo, isso é grave. É a primeira vez que isso ocorre e chama muito a atenção”, afirma médica Fátima Marinho de Souza, diretora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saude do Ministério da Saúde.

A pneumonia é o que mais mata crianças no Brasil, segundo a médica. “O que aumentaram foram as mortes por diarreia, pneumonia e influenza, que são as chamadas de mortes evitáveis pela OMS (Organização Mundial de Saúde)”, explica.

Principais causas de morte em crianças no Brasil

Menores de 1 ano

Mas o que mais chama a atenção, na opinião dela, são as mortes provocadas por desnutrição e diarreia. “A desnutrição não voltou a crescer, mas caiu menos em 2016. Havia caído de forma bem consistente nos últimos anos. Acredito que vamos ter o retorno da desnutrição”, afirma.

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Em 2000, foram registradas 1.385 mortes de crianças de até 1 ano por desnutrição. O número caiu ao longo dos últimos 15 anos, chegando a 191 mortes em 2015. Isso implicou uma redução de 18% em relação a 2014. Já em 2016, 183 crianças morreram por desnutrição, o que representa uma diminuição de somente 4% em relação ao ano anterior. 

Áreas de extrema pobreza são as mais afetadas 

As regiões do Brasil mais afetadas pela mortalidade infantil são o semiárido nordestino e a região Norte, segundo o Ministério. “A mortalidade afeta o segmento extremamente pobre da população. Houve aumento de morte por diarreia.  A água contaminada é uma fonte importante de risco. Por isso o problema se concentra onde a água é pior”, explica.

Em 2000, morreram 2.738 crianças por diarreia. Em 2015, foram 1.564 e, em 2016, 1.593. A diretora explica que o número de mortes por diarreia vinha reduzindo “fortemente” ao longo dos anos e que voltou a crescer associada à pneumonia, gripe e, principalmente, à desnutrição.

“Por incrível que pareça, até morte por tuberculose aumentou para menores de 1 ano, o que pode ser prevenido com vacina”, afirma.
Ela ressalta que houve 3 mortes de crianças com menos de 1 ano pela doença em 2015. Em 2016, esse número subiu para 13. “É um número pequeno, mas revela problemas como a falta de cobertura de vacinas e vai compondo um cenário de mortes evitáveis, e evitáveis por vacina”, diz. “Isso está relacionado à pobreza, principalmente à extrema pobreza”, completa.

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O surto do vírus zika no país contribuiu para o aumento da taxa de mortalidade infantil porque reduziu os nascimentos em 2016, segundo a médica. “A taxa de mortalidade infantil é uma razão entre o número de mortos com menos de 1 ano de idade e o número de nascidos naquele ano, então se cair muito o nascimento a taxa aumenta. Foi dessa forma que a zika influenciou o aumento da taxa de mortalidade infantil”, explica.

Segundo o Ministério da Saúde, houve queda de 5,3% dos nascimentos em 2016, passando de 3 milhões para 2,8 milhões, redução de 159 mil nascimentos.

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