Dermatite atópica atinge mais cães que humanos, afirma especialista
Atualmente, 30% dos cães são acometidos com a doença
Saúde|Do R7

A dermatite atópica, doença inflamatória da pele que causa coceira, vermelhidão, irritação e perda de pelo em excesso, tem aumentado entre os cães que vivem em grandes centros urbanos. Atualmente, 30% dos cães são acometidos com a doença, que tem incidência menor entre os humanos - cerca de 25% e quase sempre em crianças.
Segundo Marconi Rodrigues de Farias, Coordenador da Comissão Especial de Alergia Veterinária da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), a maior incidência da doença alérgica está intimamente relacionada ao estilo de vida do animal, que passa muito tempo em ambientes fechados.
— Os cães que vivem em conglomerados urbanos estão cada vez menos expostos à área externa. Vivem em média 23 horas do dia em locais fechados e isso causa o desenvolvimento de doenças como a atopia.
Além da pouca exposição ao ar livre, a alimentação, o contato com roupas sintéticas e cosméticos e a predisposição genética são fatores consideráveis para o desenvolvimento de doenças alérgicas na população canina. "Os cães são cada vez mais criados como humanos e isso pode trazer problemas", questiona Farias.
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Quanto à alimentação, a proteína do leite, do frango, do trigo, da soja e bovina podem ajudar no desenvolvimento da patologia, que se manifesta principalmente depois que os cães se coçam excessivamente ou passam a lamber muito uma parte do próprio corpo. A partir daí, então, pode apresentar edemas e descamação, produzida por uma alteração do sistema imunológico do cão.
"É importante que, no animal alérgico, a doença seja estudada. Tem que avaliar cada caso. Existe um protocolo específico", pondera o veterinário.
Guilherme Bley, publicitário, viu de perto sua cachorra Mel, uma Shih Tzu de dez anos, sofrer com a doença. "Ela coçava muito perto dos olhos e orelhas, além de lamber as patas a todo momento. O cheiro também era muito forte e o pelo começou a cair", conta o rapaz, que logo a levou no veterinário para saber o que estava acontecendo.
De acordo com Bley, o veterinário que cuidou do seu animal de estimação explicou que, além da exposição a fungos, a predisposição genética foi fator determinante para que a cadela desenvolvesse a doença. Hoje, ela vive bem, mas tem que manter o tratamento contínuo. "Ela está bem, mas o tratamento é para sempre. Usamos xampus e sprays específicos e damos medicamento quando necessário", explica.













