Fome insaciável em crianças pode ser indício de síndrome rara
Síndrome de Prader-Willi afeta 1 em cada 15 mil, sendo a causa genética mais comum da obesidade mórbida infantil; caminhada no domingo faz alerta
Saúde|Giovanna Borielo, do R7*

A Síndrome de Prader-Willi é uma doença rara de caráter genético. De acordo com a pediatra e endocrinologista Ruth Franco, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), a doença ocorre pela falta do cromossomo 15 do pai, fazendo com que a criança possua alterações endócrinas e psiquiátricas, não apresentando saciedade e gerando quadros graves de obesidade infantil.
Neste domingo (26), a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi realizará a Caminhada Contra a Obesidade na SPW na Avenida Paulista, a partir das 9h, em frente ao Masp, para promover a conscientização e alertar sobre a doença.
Embora seja considerada rara, a SPW é a causa genética mais comum de obesidade mórbida infantil identificada até hoje.
"A pessoa com Prader-Willi não tem controle nenhum sobre a fome que tem. Ela come, come, come e continua com fome. Houve casos em que as pessoas comiam até o estômago estourar", afirma a médica.
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A Prader-Willi é uma síndrome rara, afetando uma em cada 15 mil pessoas. Segundo a pediatra, no Brasil não existem adultos com a síndrome porque aqueles que a tinham, morriam durante a adolescência devido à obesidade.
De acordo com a médica, por conta do excesso de fome que esses pacientes sentem, muitas famílias precisam colocar cadeados em geladeiras e armários. "Essas crianças acabam comendo alimentos do lixo, comidas congeladas, estragadas, pedem nas ruas e roubam em supermercados porque sentem muita fome", explica Ruth.
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Ao mesmo tempo, a pediatra afirma que essas crianças podem ter um comportamento difícil, sendo teimosas, manipuladoras e até agressivas para conseguirem alguma comida.
A pediatra afirma que o diagnóstico pode ser realizado assim que a criança nasce, ao perceber a falta de tônus muscular, por exame de sangue ou por sinais que aparecem conforme o crescimento da criança. Entre esses sinais estão o Q.I. mais baixo, com atraso no desenvolvimento; crianças que engordam com muita facilidade; e metabolismo muito lento — segundo a médica, o metabolismo desses pacientes chega a ser 60% mais lento.
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Ruth afirma que o tratamento deve ser feito para o resto da vida, envolvendo uma alimentação diferente, com menor quantidadede carboidratos e de calorias; uso de hormônio do crescimento, que melhora o metabolismo; atividades físicas; e trabalho psiquiátricos para lidar com a questão comportamental.
Segundo a médica, a pessoa portadora dessa síndrome precisará sempre do auxílio de alguém, não podendo morar sozinha. A Prader-Willi não é transmitida de maneira hereditária, visto que, geralmente, esses pacientes são inférteis.
*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini
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De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem 8 mil tipos de doenças raras no mundo. Elas são consideradas assim porque afetam, no máximo, 65 pessoas em cada grupo de 100 mil. Ou seja: uma para cada 2 mil pessoas. A grande maioria, 80%, t...
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem 8 mil tipos de doenças raras no mundo. Elas são consideradas assim porque afetam, no máximo, 65 pessoas em cada grupo de 100 mil. Ou seja: uma para cada 2 mil pessoas. A grande maioria, 80%, tem origem genética, por isso não são curáveis, mas algumas possuem tratamentos que amenizam ou retardam os sintomas. No Brasil, segundo um estudo feito pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), existem 13 milhões de pessoas com algum tipo de doença rara






















