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Não é ‘frescura’: talvez seu filho não goste de alguns alimentos por predisposição genética

Estudo de neurocientista revela que a recusa das crianças por certo tipo de comida pode estar associada ao DNA

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo do doutor Fabiano Rodrigues aponta que a aversão de crianças a certos alimentos pode ser genética.
  • O gene TAS2R38 pode causar uma percepção negativa sobre o sabor de brócolis, levando à rejeição.
  • Crianças com hipermobilidade podem ter dificuldades para degustar alimentos, não sendo apenas "frescura".
  • Testes genéticos ajudariam a identificar preferências alimentares e possibilitar trocas nutricionais benéficas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A cena é clássica em muitas famílias: pais tentam de tudo para que o filho coma pelo menos um pedaço de brócolis. Apesar de todas as tentativas e do esforço hercúleo, a criança afasta o vegetal e faz uma cara de nojo ao simplesmente imaginar a possibilidade de colocar aquilo na boca. Há quem diga que tal atitude não passa de “frescura”, mas será que os mesmos já pensaram que talvez o que motiva esse comportamento seja uma condição genética e não psicológica?

Esse é o argumento lançado por Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, pós-PhD em neurociências e especialista em genômica, ao atender os pacientes que aparecem no consultório. “Peguei duas dezenas de famílias de crianças, as quais analisei os dados genéticos e entrevistei para perguntar como era o comportamento dessas crianças. O que descobri foi comprovado por unanimidade: existem diferenças relativas ao fato dessas crianças rejeitarem”, ele declara ao Hora News desta sexta (6).


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Um dos exemplos levantados por Rodrigues é um paciente com hipermobilidade, condição que deixa os tecidos muito elásticos, o que leva a dificuldades na hora da degustação. “Essas crianças tinham uma rejeição por certos alimentos e não era uma frescura, era uma condição”, menciona o especialista que afirma que alguns pais só descobriram o diagnóstico de hipermobilidade nos filhos através do estudo.

Quanto ao cenário do brócolis, o profissional explica que a existência de um gene chamado TAS2R38 pode dar a impressão de que o gosto do vegetal é extremamente químico, ao ponto de parecer venenoso. O que o estômago sente, o cérebro entende e então é criada uma associação feita com o intuito de garantir a segurança do portador: “O cérebro cria uma aversão neuroquímica para protegê-la, então é um mecanismo de sobrevivência [...] ele pode estar respondendo através dessa inteligência (a do intestino) que não comunica ao raciocínio lógico”.


Uma vez que o diagnóstico é feito, cabe aos pais usar a cabeça para encontrar substitutos igualmente benéficos: “A criança não gosta de brócolis? Ok, mas existem outros alimentos que vão compensar e terão os mesmos nutrientes e vitaminas do dele”. Segundo Rodrigues, os casos analisados diferem de alergias já que os efeitos não possuem a mesma agressividade, mas durante os exames, o cientista também descobriu outro detalhe curioso sobre a nutrigenética.

Com o diagnóstico correto, os responsáveis precisam substituir os alimentos por outros igualmente nutritivos Reprodução/Record News - 05.05.2025

“Percebi que crianças que não se sentiam confortáveis ao beber leite possuíam uma predisposição genética para intolerância à lactose, mas não havia sido feito nenhum diagnóstico, porque não apresentavam problema ao ponto de procurarem um médico”, divulga ele, que aproveita o tempo da conversa para enfatizar a importância da genética em casos como esses.


Na análise do especialista, com os resultados feitos pelos exames fica muito mais fácil para se comunicar com um nutricionista, que poderá interpretá-los e criar uma dieta mais precisa ou alimentos ideais para a substituição. Quanto a questão do preço desses testes, Rodrigues tranquiliza: “Muitas pessoas pensam que os dados genéticos são caros, mas eles não são. Estão bem mais baratos hoje”.

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