'Não vamos mudar um milímetro do nosso foco na vida', diz Mandetta

Ministro da Saúde descartou deixar o cargo após polêmica envolvendo fala do presidente Jair Bolsonaro sobre os efeitos econômicos do isolamento

Quarentena foi "precipitada" nos estados, diz Mandetta

Quarentena foi "precipitada" nos estados, diz Mandetta

WAGNER PIRES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, minimizou na tarde desta quarta-feira (25), especulações sobre uma eventual saída dele do cargo e afirmou que vai continuar a "trabalhar com critério técnico, sempre".

"Não vamos mudar um milímetro do nosso foco na vida. Não vamos perder o foco que já construímos. [...] Eu saio daqui na hora que acharem que eu não devo trabalhar, que o presidente achar, ou se eu estiver doente, o que é possível, ou no momento em que eu achar que esse período todo de turbulência tenha passado e eu possa não ser mais útil."

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro pedindo aliviamento das medidas de isolamento adotadas por alguns governadores contra o avanço do coronavírus criou incertezas sobre o destino do ministro no cargo, já que contradiziam, em parte, o que a equipe do Ministério da Saúde vinha orientando. 

Mandetta classificou como importante a fala do presidente, ao pedir que os governadores se preocupem com os efeitos econômicos da quarentena, o que chamou de "medidas assimétricas".

Segundo o chefe da pasta, alguns estados saíram de isolamento zero para "decretação de lockdown em paralelo, como se estivéssemos todos em franca epidemia", ao ponderar que a situação é diferente em cada unidade da federação.

O Brasil contabilizava até esta quarta-feira 2.433 casos confirmados de covid-19 e 57 mortes, em cinco estados. A maioria dos óbitos está concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro. 

Para o ministro, "é normal" que haja erros de calibragem dos estados e municípios na adoção de quarentena.

"Se estamos iniciando a curva [epidemiológica], temos que ter calma porque a quarentena é um remédio extremamente amargo, extremamente duro, e tem hora que a gente vai precisar usar."

O Ministério da Saúde estuda, inclusive, uma possibilidade defendida pelo presidente: o isolamento vertical, que considera apenas a quarentena para determinados grupos de risco, como idosos, doentes crônicos e indivíduos imunossuprimidos. 

Amanhã, representantes do Ministério da Saúde vão se reunir com secretários municipais e estaduais de Saúde para discutir sobre a continuidade de medidas de isolamento.