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Novos ataques no Paquistão contra campanha antipólio

Saúde|Do R7

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Uma nova série de ataques contra uma campanha contra a poliomielite terminou com três mortes nesta quarta-feira no Paquistão, e forçou a Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS) a suspender suas atividades para a erradicação desta doença viral ainda endêmica no país.

Os ataques se multiplicaram nesta quarta-feira em Peshawar, a grande cidade do noroeste do país perto da fronteira afegã e de regiões tribais consideradas como redutos dos talibãs e grupos ligadas à Al-Qaeda, opostos à vacinação contra a poliomielite, segundo fontes policiais.


Uma funcionária da campanha e seu motorista foram mortos por homens armados em Sharsada, perto de Peshawar, indicaram à AFP fontes da polícia. Um homem gravemente ferido nesta manhã por homens armados quando vacinava uma pessoa não resistiu e morreu no hospital, elevando a nove o número de membros da equipe de vacinação mortos desde segunda-feira em todo o país.

Homens armados em motocicletas abriram fogo contra quatro mulheres voluntárias sem atingi-las próximo de Peshawar.


Em resposta a essa violência, a Unicef e a OMS, que supervisionam e apoiam a campanha de vacinação, suspenderam suas atividades ligadas à poliomielite em todo o país, disse à AFP Michael Coleman, porta-voz da Unicef em Islamabad.

E as autoridades paquistanesas, que fornecem voluntários no terreno, suspenderam a campanha de vacinação nas províncias de Sindh (sul) e Khyber Pakhtunkhwa (noroeste), as duas únicas regiões atingidas pela violência.


A Unicef e a OMS denunciaram estes ataques que "privam as pessoas mais vulneráveis do Paquistão, especialmente as crianças, dos cuidados fundamentais".

Segundo dados da OMS, 198 casos de pólio foram registrados no Paquistão no ano passado, o pior ano em uma década, e 56 este ano, principalmente no noroeste do país, região povoada pela etnia pashtun situada na linha de frente da "guerra contra o terrorismo".


No Paquistão, milhares de pais se negam a vacinar os filhos contra a poliomielite pela pressão de líderes religiosos e insurgentes.

Alguns imãs fazem publicamente oposição a esta vacinação, acreditando equivocadamente que a vacina contém carne de porco, e que a campanha foi financiada pelo Ocidente com o objetivo de enfraquecer os muçulmanos. Comandantes talibãs também proibiram a vacinação em seu território, acusando os voluntários de serem espiões, especialmente depois do "caso Afridi".

O paquistanês Shakeel Afridi foi condenado em maio a 33 anos de prisão por um tribunal paquistanês por participar de uma falsa campanha de vacinação contra a hepatite B organizada pela CIA em Abbottabad (noroeste) para garantir, por meio de amostras de DNA, que Osama Bin Laden estava no local como suspeitava.

Esta campanha foi realizada em março de 2011, pouco antes do ataque dos Estados Unidos no qual Bin Laden foi morto.

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