Saúde Os pernilongos voltaram. Saiba por que e como se proteger

Os pernilongos voltaram. Saiba por que e como se proteger

Especialista afirma que falta de chuva eleva nível de poluentes e de matéria orgânica da água de criadouros, o que favorece o crescimento das larvas

Os pernilongos voltaram. Saiba por que e como se proteger

Culex quinquefasciatus, o pernilongo doméstico, de "barriga cheia"

Culex quinquefasciatus, o pernilongo doméstico, de "barriga cheia"

Reprodução/CDC

O frio deu uma trégua e, em pleno inverno, o Culex quinquefasciatus, também conhecido como pernilongo doméstico, voltou a atacar.

Segundo a entomologista Maria Anice Sallum, professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, esse tipo de pernilongo se torna mais abundante em período de pouca chuva.

“Países tropicais têm elevada riqueza de mosquitos o ano todo. No entanto, existem períodos mais favoráveis, que propiciam aumento dos insetos, que não desaparecem do ambiente. O pernilongo pode ser abundante em períodos com temperatura elevada e, no caso do doméstico, menos chuva”, afirma.

“A falta de chuva torna a água dos criadouros estável, com maior nível de poluentes e eutrofização [crescimento de plantas aquáticas], com muita matéria orgânica que serve de alimento para as larvas do mosquito”, completa.

Pernilongo doméstico é resistente

Ela explica que o pernilongo doméstico é o único mosquito que sobrevive a "condições extremamente poluídas", como o rio Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo. “Nas margens do rio Pinheiros, não tendo predadores nem competidores naturais, ele é o ‘rei’ e prolifera sem dificuldade, inclusive com fontes de sangue abundantes nas margens e no entorno, como homens, roedores e cachorros”, diz.

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Além do clima seco, a temperatura elevada deste inverno contribui para acelear o desenvolvimento das fases iniciais da larva, segundo Maria Anice. “Esse fato, juntamente com a maior oferta de criadouros, por causa da água que se acumula no ambiente, em recipientes diversos, favorecem a proliferação do pernilongo. Desta maneira, é fácil entender a presença de grande quantidade de Culex em áreas próximas dos rios poluídos da cidade de São Paulo, por exemplo”.

Os pernilongos domésticos se reproduzem em “esconderijos” urbanos, como calhas entupidas, galerias de água pluvial entupidas, fossas, rios e córregos contaminados com esgoto, piscinões e calçadas quebradas, que permitem o acúmulo d’água.

Potencial para transmitir a zika

Eles podem apresentar resistência a inseticidas, como o chamado “fumacê”, aplicado nas margens dos rios poluídos da cidade, diz a professora. Ela explica que, para ter eficácia, o fumacê deve ser aplicado em condições climáticas ideais, que seriam dias sem chuva e sem vento.

“As partículas do inseticida têm de permanecer suspensas no ar por certo período para que matem os mosquitos. Se estiver ventando, não é possível fazer a aplicação. O ideal é fazer ainda durante o dia para eliminar os pernilongos que estão em repouso na vegetação”, diz.

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Além de irritantes, os pernilongos domésticos podem transmitir doenças. “O Culex transmite o Vírus do Oeste do Nilo e existe a suspeita de pode transmitir o vírus zika. Ainda pode veicular determinados vermes que infestam cachorros, Dirofilaria imitis, e outro que causa elefantíase em humanos, Wuchereria bancrofti, em certas áreas de Recife”, afirma.

Para se proteger da picada, ela recomenda manter os ambientes livres de criadouros e usar telas mosquiteiras. Entre os repelentes, ela ressalta os que contêm ou DEET ou icaridina como princípios ativos, que são mais eficientes.

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