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Pandemia cansa mais do que maratona, diz Vanderlei Cordeiro

Atleta de resistência conta como sua experiência em provas que são longas e cansativas pode ajudar a superar a quarentena

Saúde|Sofia Pilagallo, do R7*

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Vanderlei é o único latino-americano outorgado com a Medalha Pierre de Coubertin
Vanderlei é o único latino-americano outorgado com a Medalha Pierre de Coubertin

Ficar parado durante a pandemia pode ser mais cansativo do que correr uma maratona. A opinião é do ex-maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, 50, bicampeão dos Jogos Pan-Americanos, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e o único latino-americano outorgado com a Medalha Pierre de Coubertin, a maior condecoração de cunho humanitário-esportivo concedida pelo Comitê Olímpico Internacional.

Um atleta de resistência tem muito a ensinar sobre como superar os desconfortos provocados por uma pandemia. Assim como uma maratona, ela pode ser longa e cansativa. Mas Vanderlei destaca uma diferença. “A maratona, a gente sabe que tem um ponto de partida e um ponto de chegada e a gente estipula um tempo para fazer a prova. Já a pandemia a gente não sabe quando vai acabar”, afirma.


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Vanderlei está apreensivo neste momento de tantas incertezas, mas a experiência no esporte faz com que se mantenha otimista. “O mais importante é acreditar que essa fase vai passar. Nós, atletas, temos um olhar diferente, da esperança, da superação, do acreditar que tudo é possível.”

Ele, que já sofreu revezes críticos ao longo da carreira, garante que resiliência é a chave para superar qualquer obstáculo – seja na vida profissional ou pessoal.


Em 2004, talvez o ano mais conturbado de sua carreira, o atleta passou por duas grandes dificuldades. A primeira se deu em janeiro – quatro meses antes da Maratona de Hamburgo, prova que garantiria sua vaga nos Jogos Olímpicos de Atenas caso ficasse entre os três brasileiros mais bem colocados –, quando quebrou a clavícula esquerda em um acidente de moto.

Após o ocorrido, ele pensou seriamente em desistir de concorrer à vaga, mas foi incentivado pelo seu então treinador, Ricardo D’ângelo. “Eu já tinha praticamente jogado a toalha, mas aí o Ricardo me disse: ‘Se você confia em mim tanto quanto eu confio em você, vem para Campinas que a gente vai superar e vai conseguir’. Não pensei duas vezes. Naquela noite, já peguei o ônibus. Chegando lá, fiz todos os exames e depois de um período de tratamento, comecei minha preparação para a maratona de Hamburgo com o braço imobilizado.”


Apesar dessa limitação, Vanderlei se manteve focado em seu objetivo. “Desde o momento do meu retorno aos treinos até a maratona de Hamburgo eu convivi com intensa dor, mas mantive a mente nos Jogos Olímpicos. Não tinha outro atleta na Maratona de Hamburgo com tanta vontade de ir para os Jogos quanto eu.”

Resultado: com a marca de 2 horas, 9 minutos e 39 segundos, Vanderlei se consagrou o campeão da prova e carimbou seu passaporte para Atenas.


Lá enfrentaria o maior obstáculo de sua carreira. A sete quilômetros da linha de chegada, Vanderlei liderava a prova quando foi empurrado para fora da pista pelo ex-padre irlandês Neil Horan. O fato ficou mundialmente conhecido.

Apesar do infortúnio, ele não perdeu o foco e foi o terceiro colocado da prova, ganhando a medalha de bronze. Vanderlei foi agraciado, ainda, com a Medalha Pierre de Coubertin, uma honraria elevadíssima concedida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) a atletas que valorizam a competição olímpica mais do que a vitória.

Para Vanderlei, assim como é preciso estar preparado para as adversidades de uma prova, também é preciso estar preparado para as adversidades da vida. “Às vezes, você planeja uma estratégia e o adversário tem uma atitude completamente diferente daquilo que você imaginou. Eu acho que essa é uma grande lição que podemos levar para a vida. A maratona é o dia a dia de cada um. Muitas vezes a gente planeja de uma forma e acontece completamente diferente. Na vida, temos que estar preparados para tudo isso.”

Vanderlei sugere que as pessoas aproveitem este momento de distanciamento social para refletir sobre suas escolhas. “Essa pandemia veio como um alerta do que pode vir por aí. Temos que fazer a nossa parte. É preciso valorizar mais uns aos outros. Eu acho que o universo sempre vai conspirar a favor do bem, mas a gente tem que cuidar do universo também.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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