Paternidade após 45 anos eleva risco à saúde do bebê, diz estudo

A cada ano que um homem envelhece, ele acumula em média duas novas mutações no DNA de seu esperma, diz estudo da Universidade de Stanford

Se o pai tem mais de 45 anos, o filho terá mais chance de nascer com baixo peso

Se o pai tem mais de 45 anos, o filho terá mais chance de nascer com baixo peso

Pixabay

Um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, associou a paternidade tardia a riscos para a saúde do bebê, como baixo peso, convulsões e maior probabilidade de nascimento prematuro.

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Os pesquisadores analisaram mais de 40 milhões de nascidos entre 2007 e 2016. Os dados mostraram que aos 35 anos há uma pequena elevação nesses riscos. Um aumento mais acentuado foi observado na faixa etária seguinte, entre 45 e 55 anos. 

A cada ano que um homem envelhece, ele acumula em média duas novas mutações no DNA de seu esperma, mostra estudo.

Comparado com pais entre 25 e 34 anos - idade média de paternidade nos Estados Unidos -, os bebês de homens acima de 45 anos tinham 14% mais chance de precisarem de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ao nascer, 18% era mais propenso a ter convulsões e 14% a ter baixo peso ao nascer.

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Se o pai tiver mais de 50 anos, a probabilidade de o bebê precisar de ventilação mecânica ao nascer aumentaria em 10%, e a chance de necessitar de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal aumentaria para 28%.

A mesma equipe de pesquisa publicou no ano passado um estudo que mostra que o número de homens mais velhos que tinham filhos estava aumentando. Atualmente, cerca de 10% dos bebês nascem de pais com mais de 40 anos, sendo que há 40 anos eram apenas 4%.

Para o urologista Michael Eisenberg, que lidera a pesquisa, o mais surpreendende foi descobrir que existe uma relação entre a idade do pai e chance de a mãe desenvolver diabetes gestacional.

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Mulheres com parceiros acima de 55 anos tiveram 34% mais chance de desenvolver diabetes gestacional e, com parceiros entre 45 e 54 anos, 28%, em relação àquelas com parceiros entre 25 e 34 anos. 

“Tendemos a olhar para fatores maternos quando avaliamos riscos relacionados ao parto, mas esse estudo mostra que ter um bebê saudável é uma tarefa de equipe, e a idade do pai também contribui para a saúde do bebê”, afirma Eisenberg.

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Segundo ele, os mecanismos biológicos que levam a isso ainda são obscuros, mas há uma suspeita de que a placenta da mãe tenha um papel nesse processo.

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