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Polilaminina: entenda como vai funcionar tratamento inovador de lesões na medula espinhal

Iniciativa 100% brasileira está na fase 1 e faz testes em cinco voluntários de 18 a 72 anos

Saúde|Beatriz Oliveira, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Iniciativa 100% brasileira desenvolve tratamento inovador para lesões na medula espinhal.
  • Estudo está na fase 1, com cinco voluntários testando a polilaminina em hospitais de São Paulo.
  • O medicamento já demonstrou resultados positivos em testes anteriores, incluindo a recuperação de movimentos em pacientes.
  • Se aprovado, o tratamento poderá avançar para fases adicionais, mas não há previsão de disponibilidade na rede pública.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o diretor da Anvisa, Leandro Safatle, comemoram a inovação 100% brasileira Valter Campanato/Agência Brasil - 05/01/2025

O Brasil deu mais um passo rumo à inovação científica com a primeira fase do estudo que pode recuperar o movimento de pessoas que sofreram lesões medulares graves.

Na terça-feira (5), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou que cinco voluntários, com idades entre 18 e 72 anos e lesões causadas a menos de 72 horas, passem por testes.


Com desenvolvimento 100% nacional, a iniciativa é conduzida pela pesquisadora Tatiana Sampaio na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em parceria com a farmacêutica brasileira Cristália. A equipe de investigadores trabalha desde 2007 para desenvolver a polilaminina, substância que pode regenerar as lesões.

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Ao comentar sobre o estudo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comemorou os avanços nacionais na área da saúde e da ciência.


“Para nós, hoje é um marco importante para as pessoas e as famílias de quem sofreu uma lesão medular, sobretudo aguda, mas também as lesões crônicas. Cada avanço científico e tecnológico é sempre uma nova esperança renovada, um novo esforço”, afirmou.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é um medicamento feito a partir da laminina, uma proteína produzida naturalmente pelo organismo para manter as células unidas e regenerar o tecido nervoso.


Durante a apresentação do projeto, Tatiana Sampaio explicou que, em uma lesão medular, os axônios são rompidos. Essas estruturas são responsáveis por conduzir o estímulo nervoso, permitindo a comunicação do cérebro com o corpo. Por isso, ocorre a perda de movimento com a fratura dessas áreas.

Observando esses casos, os pesquisadores levantaram a hipótese de que um tratamento com laminina poderia reconstruir essa fiação elétrica. Assim, eles desenvolveram uma substância com estrutura idêntica, que pudesse ser disponibilizada como fármaco.


Antes dos testes em humanos, o medicamento foi utilizado em ratos lesionados. O animal recuperou todos os movimentos, e foi observada a formação de uma ponte entre os dois pontos de fratura onde foi aplicada a substância.

Depois disso, foi feita uma análise com oito pacientes, segundo Tatiana. Deles, dois morreram no começo do tratamento, e outros seis recuperaram movimentos. Ela destaca o caso de Bruno Drummond, de 31 anos, que recuperou todos os movimentos após ficar tetraplégico em razão de um acidente de trânsito em 2018.

“O paciente estava tetraplégico e não teria mais capacidade de movimentar nada do tronco para baixo, e conseguiu recuperar completamente os movimentos. Ele foi acompanhado com exames de eletrofisiologia que comprovaram que não havia condução elétrica, que gradativamente foi restaurada”, diz.

Próximos passos

Agora, os cinco voluntários passarão pela aplicação da substância na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e no Hospital das Clínicas. Essa etapa será supervisionada por um comitê da Anvisa, responsável por avaliar riscos aos pacientes.

O estudo está na fase 1, que busca atestar a segurança da substância. Se tiver sucesso, pode avançar para as fases 2 e 3, em que a eficácia do produto começa a ser o foco. O registro do medicamento só poderá ser solicitado se for aprovado na terceira etapa.

Entrada no SUS

Segundo Padilha, não há previsão de quando e se o tratamento vai ser disponibilizado na rede pública.

Essas discussões só começam após a fase 3, quando a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) analisar a eficácia e viabilidade do tratamento para a população.

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