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Popularidade de apps fitness cresce, mas uso sem orientação pode trazer riscos à saúde

Apps de treino e dieta movimentaram quase US$ 4 bilhões no mundo em 2024; especialistas apontam vantagens e desvantagens

Saúde|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Uso de aplicativos de fitness cresceu significativamente, movimentando quase US$ 4 bilhões no último ano.
  • Apenas 8% das pessoas buscam orientação profissional antes de iniciar dietas ou treinos, levantando preocupações sobre a saúde.
  • Especialistas alertam que o uso de aplicativos sem acompanhamento pode gerar riscos à saúde física e mental, como compulsão e lesões.
  • Embora possam ser úteis como complemento, aplicativos não substituem a orientação e avaliação profissional na prática de exercícios e dietas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Usados corretamente, aplicativos de fitness podem ser aliados poderosos
Usados corretamente, aplicativos fitness podem ser aliados poderosos Divulgação/Freepik

O uso de aplicativos fitness e de alimentação cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Em 2024, 345 milhões de pessoas utilizaram esse tipo de plataforma, movimentando US$ 3,98 bilhões em receita, segundo dados do portal britânico Business of Apps.

A tendência surge em meio a um cenário preocupante: o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, aponta que 68% dos brasileiros estão acima do peso, sendo 31% obesos e 37% com sobrepeso.

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Apesar da busca por hábitos mais saudáveis, apenas 8% das pessoas procuram um profissional de saúde antes de iniciar uma dieta. Especialistas ouvidos pelo R7 alertam que, embora esses aplicativos tenham o potencial de ser aliados na rotina, o uso deles sem orientação pode trazer riscos à saúde física e mental.

Aplicativo não ‘enxerga’ o ser humano

De acordo com o nutricionista clínico esportivo e funcional Vinicius Martins, da Clínica Evoá, em Brasília, seguir planos alimentares oferecidos por aplicativos sem acompanhamento profissional pode acarretar uma série de problemas.

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“Isso pode acabar trazendo diversos riscos à saúde física e também à saúde mental, podendo causar, além dos desequilíbrios nutricionais, alguns transtornos alimentares, ganho de peso, reganho de peso e o agravamento de quadros psicológicos, principalmente ansiedade e compulsão”, explica.

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Ele afirma já ter atendido pacientes influenciados pelos apps e destaca que as plataformas são limitadas ao lidar com questões humanas.

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“O aplicativo não consegue ver o paciente como ele deve ser visto, como a questão cognitiva, como a questão mental, como a questão do emocional. Ele não enxerga se a pessoa está estressada, ansiosa ou compulsiva. Não existe uma leitura do paciente como ser humano.”

Riscos e benefícios

A professora de Educação Física do CEUB, Leandra Batista, alerta que treinar com base apenas em aplicativos, sem avaliação prévia, pode gerar consequências sérias.

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“A prática de exercícios orientada apenas por aplicativos, sem avaliação prévia, aumenta significativamente o risco de lesões musculoesqueléticas, sobrecarga articular e fadiga crônica”, ressalta.

Segundo ela, a avaliação física individualizada é fundamental para identificar limitações e condições clínicas que exijam cuidados específicos. “Sem isso, o usuário pode entrar em programas de alta intensidade que excedem sua capacidade fisiológica, resultando em inflamações e microlesões”, adverte.

Para Fernando Castro, também educador físico, o ideal é unir a praticidade da tecnologia à supervisão de um profissional, para que o treino seja realmente eficiente e seguro.

“Esses aplicativos podem, sim, ajudar no início, por tornarem o exercício mais acessível e estimularem o hábito. Mas, a médio prazo, sem orientação profissional, costumam gerar erros de execução e treinos mal direcionados”, alerta.

Leandra concorda: “Os aplicativos de treino podem democratizar o acesso à atividade física, principalmente por meio de gamificação, feedback instantâneo e conveniência. Mas não substituem o olhar clínico e pedagógico do profissional.”

App como ponto de partida

A estudante Thauane Silva, 20, começou a praticar exercícios com a ajuda de um aplicativo, mas buscou orientação profissional logo após.

“Depois do uso do aplicativo, comecei a treinar com um profissional, por querer um treino personalizado, mais específico, que me ajudaria a ganhar mais resultados. Mas tive experiências positivas com o app, foi a maneira que encontrei no início da pandemia para sair do sedentarismo.”

Para ela, os aplicativos são complementos na rotina, e não substitutos do acompanhamento profissional. “Uso como complemento, para momentos em que estou limitada para treinar, durante uma viagem ou naqueles dias em que quero fazer um treino rápido”, conta.

A estudante de administração Anne Carolinne também encontrou a ferramenta por indicações nas redes sociais. “Comecei por influência de blogueiras fitness e quis testar também. O app me ajudou a manter uma rotina de exercícios, principalmente de corrida. Os troféus e recordes pessoais me incentivam a continuar.”

*Sob supervisão de Leonardo Meireles

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