Saúde Saiba quais fatores influenciam nas reações adversas à vacinas

Saiba quais fatores influenciam nas reações adversas à vacinas

Medo desses eventos é um dos fatores que levam à queda de coberturas vacinais, mas eles são esperados e não anulam a segurança dos imunizantes

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Campas de vacinação contra a poliomielite e de multivacinação vão até 30 de outubro

Campas de vacinação contra a poliomielite e de multivacinação vão até 30 de outubro

Divulgação/Secretaria Estadual e Saúde do Amazonas

O medo de eventos adversos é apenas um dentre os múltiplos fatores que levam à queda de coberturas vacinais, acentuada na pandemia. No entanto, especialistas são unânimes em afirmar que essas reações são esperadas, situações graves ocorrem raramente por causa de erros e todas as vacinas disponíveis são seguras.

O tema foi abordado durante a XXII Jornada Nacional de Imunizações, que aconteceu entre os dias 15, 16 e 17 de outubro.

De acordo com Helena Sato, diretora técnica da Divisão de Imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, dentre os fatores que influenciam na ocorrência de eventos adversos estão as formas de aplicação da vacina, o manuseio adequado - que impede a contaminação - e a resposta imunológica do paciente.

"Vacinas atenuadas não podem ser aplicadas em imunodeprimidos e gestantes", lembra.

Os imunizantes atenuados são aqueles que carregam o vírus ativo, porém ele está enfraquecido e assim, não consegue provocar a doença. São exemplos dessa categoria a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), a da febre amarela e a VOP (vacina oral contra poliomielite).

"A gente usa há décadas e são extremamente seguras", destaca o pediatra e infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), instituição que promoveu o evento online.

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Helena enfatizou, durante sua apresentação, que todas as vacinas, antes de serem liberadas, passaram pelas fases 1, 2, 3 de testes em humanos, o que atesta a segurança de cada uma delas. 

"A fase 3 é a que todo mundo espera, onde se avalia a eficácia e segurança do produto. A fase 4, quando a vacina já está sendo comercializada e o uso acontece em larga escala, é muito importante para a avaliação de eventos adversos", afirma.

"Nenhuma vacina está livre desses eventos. Precisamos monitorar adequadamente para ver se os lotes estão tendo [reações] acima do esperado", acrescenta.

Kfouri concorda com ela. "Todas as vacinas têm risco de efeitos colaterais, que são normais, estão dentro do esperado. Cada uma tem sua característica em termos de veículo [tecnologia usada para ativar o sistema imune] e via de administração", explica.

"As vacinas intramusculares causam mais dor que as subcutâneas. Uma pode dar febre em 10% e outras em 15%, mas se estão licenciadas, são seguras", reitera.

Helena ressalta que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece prevenção para mais de 20 doenças por meio do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Segundo ela, a inclusão de novas vacinas no calendário do Ministério da Saúde sempre depende da avaliação de seus riscos e benefícios.

A especialista recorda o que aconteceu na época da inclusão da vacina contra o rotavírus, aplicada em duas doses - aos dois e aos quatro meses de vida.

"Teve um aumento de invaginação intestinal após a segunda dose, mas isso é raro, e ao mesmo tempo uma queda importante na infecção por rotavírus. Considerando os benefícios, a gente mantém ela no programa de vacinação", esclarece.

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O PNI conta com 19 vacinas recomendadas à população e distribuídas gratuitamente nos postos de vacinação da rede pública.

No início deste mês, o governo federal lançou as campanhas nacionais de vacinação contra a poliomielite, para crianças de até 5 anos, e de multivacinação, focada em crianças e adolescentes menores de 15 anos não vacinados ou com esquemas incompletos. A mobilização vai até o dia 30 de outubro.

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