Saúde Seis em cada dez jovens contam ter sofrido de ansiedade nos últimos seis meses

Seis em cada dez jovens contam ter sofrido de ansiedade nos últimos seis meses

Pesquisa do Atlas das Juventudes ouviu 16 mil jovens de 15 a 29 anos em todo o país sobre os efeitos da pandemia em saúde, educação, trabalho, democracia e redução de desigualdades

Agência Estado

Resumindo a Notícia

  • Uma pesquisa ouviu 16 mil jovens de 15 a 29 anos em todo o país sobre saúde e outros temas
  • Seis em cada dez jovens afirmaram ter sentido ansiedade nos últimos seis meses
  • Um em cada dois (50%) tem cansaço e exaustão frequentes, enquanto 18% relataram depressão
  • 9% dos voluntários tiveram eventos de automutilação ou pensamento suicida
Impacto da pandemia na saúde mental dos jovens é o que mais chama atenção

Impacto da pandemia na saúde mental dos jovens é o que mais chama atenção

Pixabay

Seis em cada dez jovens relatam ter sentido ansiedade nos últimos seis meses, pelo impacto da pandemia de Covid-19 em sua vida. Um em cada dois (50%) sente cansaço e exaustão frequentes, enquanto 18% relataram depressão e 9%, automutilação ou pensamento suicida.

Na educação, 55% sentem que ficaram para trás na aprendizagem, e 34% já disseram não querer mais estudar — 11% ainda cogitam largar os estudos.

Os dados, considerados preocupantes, são da pesquisa "Juventudes e a pandemia: e agora?", que ouviu mais de 16 mil jovens de 15 a 29 anos em todo o Brasil. A sondagem, coordenada pelo Atlas das Juventudes, abordou temas como saúde, educação, trabalho, democracia e redução de desigualdades.

O impacto da pandemia na saúde mental dos jovens é o que mais chama atenção. Para 82% deles, a pandemia ainda não acabou, e quase cinco em dez ainda temem perder familiares ou amigos.

Quase quatro em dez jovens se preocupam com a possibilidade de outras pandemias e têm receio de passar por dificuldades financeiras. Mais da metade relatou ter feito uso exagerado de redes sociais, e 44% vivem a falta de motivação para ações cotidianas.

"Vivenciei tudo isso. Tive ansiedade, fiquei com o psicológico abalado e tive depressão, como muitos outros jovens que conheço. Só consegui superar com o apoio da minha família", contou o estudante de direito Matheus Henrique Souza de Oliveira, de 21 anos, morador de Sorocaba, no interior de São Paulo. Mais da metade desse público vai manter os bons hábitos adquiridos na pandemia, como usar máscaras quando doentes, usar álcool em gel ou lavar as mãos com mais frequência e manter as vacinas em dia.

Apoio psicológico

O agravamento da saúde mental levou 30% dos jovens (três em dez) a usar aplicativos de auxílio psicológico nos últimos três meses. Muitos recorreram à psicoterapia, e um quarto, a atividades de socialização, como encontrar amigos, enquanto quatro em dez citaram atividades físicas. Quase metade dos jovens defendeu o acompanhamento psicológico especializado nessa faixa etária, na saúde pública e nas escolas. Para 74% dos entrevistados, um dos aprendizados da pandemia é a importância da saúde mental.

Segundo a professora Maria Rosa Rodrigues, da Uniara (Universidade de Araraquara), os dados da pesquisa são bastante preocupantes e mostram quanto os jovens foram afetados pela pandemia. "O que a gente percebe muito claramente no retorno [à normalidade] é quanto foi difícil para eles o afastamento social, o medo, a perda dos espaços de socialização, resultando no aumento dos casos de ansiedade e depressão que se refletem na busca por atendimento psicológico."

Ensino remoto

Na educação, em função do período de ensino remoto, 52% sentem que desenvolveram ou intensificaram a dificuldade de manter o foco; 43%, de se organizar para os estudos; e 32%, de falar em público. Em relação ao aprendizado, nove em cada dez concordam que as pessoas entenderam que há várias formas de aprender, que a tecnologia está sendo mais bem utilizada no ensino e que surgiram novas dinâmicas de aula e de avaliação.

Matheus Oliveira lembra que teve muita dificuldade para se adaptar ao ensino remoto. "Eu era de uma geração presencial e tive de migrar para um meio tecnológico que eu não conhecia. Para piorar, o ensino remoto não oferecia a mesma qualidade, então houve dificuldade para lidar com as aulas e perda na aprendizagem", afirma. Ele ressalta que, na época, trabalhava como estagiário, e a empresa o colocou em home office com os outros funcionários. "Mas a empresa oferecia mais recursos do que a escola, então a gente fazia videoconferências semanais ou quinzenais sem problema."

Embora parte dos jovens tenha interrompido os estudos em algum momento da pandemia — 28% em 2020, 16% em 2021 e 3% este ano —, mais de sete em dez estão otimistas em relação ao desenvolvimento nos estudos. Para seis em dez, o otimismo prevalece em relação à qualidade do ensino e à conexão da educação com o trabalho.

Política

A pesquisa abordou também as expectativas dos jovens em relação aos governantes. Para 63% dos participantes, a educação deve ser prioridade dos próximos governos, enquanto 56% preferem a saúde, incluindo o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) como foco de governança. Já 49% apontaram a recuperação da economia, renda e trabalho como prioridades. Para 30%, são necessárias ações de combate à fome.

A maioria — nove em cada dez — defende a democracia, e 80% concordam que a pandemia deixou as pessoas mais atentas à política. Dos jovens ouvidos, 82% pretendem votar no próximo domingo, mas quase 70% estão pessimistas em relação ao compromisso dos políticos com a sociedade.

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