Ter propósito na vida pode reduzir em quase 30% o risco de demência, aponta estudo
Trabalho que acompanhou mais de 13 mil adultos indica que ter um objetivo definido fortalece a saúde cognitiva no envelhecimento
Saúde|Thais Szegö, da Agência Einstein
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Já se sabe que ter uma rotina ativa e ocupada é um dos fatores que contribuem para um envelhecimento saudável. Quando essa vivência está associada a um propósito, é possível reduzir inclusive o risco de demência. É o que aponta um estudo publicado recentemente no periódico Journal of the American Geriatrics Psychiatry.
O trabalho acompanhou mais de 13 mil adultos com 45 anos ou mais por um período de até 15 anos. Os resultados apontam que participantes que relataram um maior senso de propósito na vida têm probabilidade 28% menor de desenvolver comprometimento cognitivo, incluindo quadros leves e demência. Segundo os autores, a explicação está no aumento da resiliência cerebral ao longo do envelhecimento.
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O efeito protetor foi observado de forma consistente entre diferentes grupos raciais e étnicos e permaneceu significativo mesmo após o ajuste para fatores como nível educacional, presença de depressão e a variante genética APOE4, reconhecida como um importante fator de risco para a doença de Alzheimer.
Embora os voluntários não tenham sido questionados especificamente sobre quais atividades davam sentido à vida para eles, os pesquisadores sugerem que esse propósito esteja relacionado a diferentes dimensões, como vínculos afetivos, cuidar da família ou conviver com netos e parceiros, além de atividades que incluem trabalho, voluntariado, filantropia, espiritualidade, fé e lazer.
“O estudo mostra o que vemos bastante na prática do atendimento de idosos: aqueles que têm um propósito de vida, seja um objetivo a curto, médio ou longo prazo, se esforçam mais para viver melhor. Isso leva a mudanças no estilo de vida, como prática de atividade física, alimentação saudável e estímulos para manter o cérebro ativo, que podem ser responsáveis pela prevenção da demência”, analisa a médica geriatra Thais Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita.
Ter propósito está associado a melhor saúde mental, rotinas mais estruturadas e maior engajamento social, o que reduz o risco de solidão e isolamento. “Faz com que o indivíduo passe a perceber a velhice sob uma ótica mais positiva e, com isso, possa desconstruir o idadismo interiorizado, que aumenta sua carga de estresse e contribui negativamente para sua saúde física e mental”, diz o nefrologista Egidio L. Dórea, coordenador do USP 60+, programa da Universidade de São Paulo que promove atividades para a população idosa.
Ao longo da vida, é importante ter um planejamento mais amplo, que considere diferentes dimensões do cotidiano, como saúde, autonomia, relações familiares, organização financeira e espiritualidade. “Vejo muitos idosos que trabalham a vida inteira e, quando se aposentam, não sabem mais o que fazer, pois o único propósito era trabalhar e se sustentar”, observa Ioshimoto. “Então, é importante ter um objetivo norteador em diferentes aspectos e momentos.”
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