Tratamento com canetas deve envolver preparação semelhante à de cirurgia bariátrica, diz médica
Endocrinologista ainda discorda de uma opinião do senso comum sobre obesidade e afirma: ‘Não é culpa da pessoa’
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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O dia 4 de março marca o dia da obesidade, uma doença que se torna um problema cada vez maior. Segundo uma pesquisa do Ministério da Saúde, no período entre 2006 e 2024, a condição aumentou 118% nas capitais brasileiras. Segundo uma pesquisa recente da Ipsos, a maioria acredita que o tratamento é simples: 63% dos entrevistados concordam que basta mudar os hábitos por meio de dietas e exercícios físicos. A realidade, contudo, é mais complexa.
“Se fosse só isso, não teria essa pandemia de obesidade que vemos [...]”, afirma a endocrinologista e membro da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Carolina Janovsky. Ela cita que fatores genéticos, ambientais, mentais e até emocionais influenciam no caso de cada paciente. Fatores como viver em locais estressantes e sofrer com a privação de sono facilitam o quadro de obesidade, por motivar a ingestão de alimentos por aspectos emocionais.

Carolina explica: “Quando temos um carboidrato que sobe o açúcar no sangue muito rápido, há uma sensação de recompensa. [...] A dopamina, que é um neurotransmissor relacionado a esse sentimento, aumenta, e nos sentimos bem momentaneamente. Com o tempo, principalmente em pacientes com obesidade, vemos que as dopaminas nunca são suficientes”.
Após demonstrar o elo que a doença possui com o lado emocional, a endocrinologista também alerta os usuários das canetas emagrecedoras: “Não adianta ir comprar a caneta e achar que ela vai resolver”. Ela avisa, no Conexão Record News desta quarta (4), que a obesidade é uma doença crônica e necessita de um acompanhamento constante.
Além disso, Carolina avisa que, da mesma maneira que uma cirurgia bariátrica, o tratamento por meio das canetas deve ser humanizado e envolver o contato com psiquiatras e nutricionistas.
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“Então, antes da cirurgia bariátrica [...] tem toda uma avaliação psicológica, tem toda uma orientação nutricional, orientação de atividade física para esse momento pós-cirurgia, para como você vai evoluir. E a mesma coisa com as canetas [...]. Isso tem que ser acompanhado de todo um acompanhamento multidisciplinar. Então tem que ter uma avaliação nutricional, tem que ter o educador físico para mostrar como que faz exercício para não perder muita massa muscular, tem que fazer essa avaliação psicológica”, afirma.
Ao ser questionada sobre medidas de prevenção contra a obesidade, a endocrinologista enxerga que conversar com o médico é a melhor opção.
“O próprio médico acha que não deve falar sobre isso, porque ainda é uma questão estética. Sabemos que não é estético. Não estamos falando de emagrecer para ficar esquelético, mas sim de perder peso para ficar saudável”, ela finaliza.
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