Uma em cada quatro mulheres entre 20 e 50 anos tem enxaqueca

Presente em 10% dos homens, problema é ocasionado por sensibilidade maior do cérebro e tem como principal sintoma dor incapacitante

Enxaqueca em mulheres pode ter relação com hormônios

Enxaqueca em mulheres pode ter relação com hormônios

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Problema comum entre as mulheres, a enxaqueca atinge cerca de um quarto da população do sexo feminino entre 20 e 50 anos, e cerca de 10% dos homens. 

O neurologista Geraldo Speciali, professor associado da Universidade de São Paulo, explica que a causa da enxaqueca tem origem no cérebro. 

“A pessoa que tem enxaqueca nasce com uma sensibilidade maior no cérebro para algumas coisas que são os gatilhos que desencadeiam a crise”, afirma Speciali.

Os gatilhos podem ser consumo de alimentos determinados, variação hormonal das mulheres, álcool, claridade, jejum e estresse.

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Segundo o neurologista, outros sintomas além da própria dor podem ser: náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, som e odores.

“Vinte por cento dos pacientes com enxaqueca também apresentam aura visual, que pode ser pontos luminosos, perda de um campo de visão, entre outros”, explica.

O médico afirma que existem dois tipos de tratamento para a enxaqueca, o profilático e o de crise.

“No tratamento de crise nós utilizamos analgésicos comuns e derivados de triptanos que são remédios específicos para tirar a crise”, explica.

O tratamento profilático tem como objetivo prevenir as crises de dor. Ele receita medicamentos diários que vão diminuir a sensibilidade do cérebro. Segundo Speciali cerca de um ano de tratamento já é suficiente para a pessoa ter uma melhor qualidade de vida.

“A busca do consultório por conta de enxaqueca é muito maior, já que as crises são muito fortes, muitas vezes a pessoa tem que ficar o dia inteiro na cama, mas outra causa bem comum de dor de cabeça é a cefaleia tensional”, explica o médico.

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Cefaleia tensional

A principal causa da cefaleia tensional é o estresse. “Diferente da enxaqueca, ela possui como sintoma uma dor de cabeça menos forte no final da tarde ou no começo da manhã, mas que incomoda bastante também”, afirma Speciali.

Esse tipo de cefaleia pode estar associado à dor muscular e dor na cervical. Além disso, pode ser ocasionada, também, pelo apertamento dental e pelo bruxismo.

“A pessoa que tem cefaleia tensional normalmente quando está muito estressada, cansada, ansiosa, sobrecarregada ou teve alguma briga na família... então, o tratamento vai ser não medicamentoso”, explica o neurologista.

Ele afirma que o médico precisa tentar descobrir o que está causando a dor e que uma das melhores estratégias é a adaptação da agenda para a pessoa não ficar tão sobrecarregada.

Também podem ser utilizados tratamentos psiquiátricos, fisioterapia e acupuntura, para ajudar o paciente a lidar com o estresse.

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“Na enxaqueca tem muitos fatores que não controlamos e tem que tomar remédio. Já na [cefaleia] tensional, nós focamos na mudança de estilo de vida da pessoa. Tirar férias, não trabalhar de fim de semana, ir para casa mais cedo, fazer exercício, até tomar uma dose pequena de uísque, se isso relaxa a pessoa”, afirma Speciali.

Segundo o médico, de 20% a 30% da população possui cefaleia tensional, mas muitas não procuram um médico, já que a dor não é incapacitante.

“Prejudica a qualidade de vida da pessoa também, muitas pessoas não fazem tratamento só ficam tomando analgésico”, afirma.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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