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Vírus Nipah chegou ao Brasil? O carnaval é motivo de preocupação?

Ainda não há tratamento específico ou vacina disponível em caso de infecção

Saúde|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O vírus Nipah ganhou atenção no Brasil após novos casos na Índia, mas não há registros confirmados no país.
  • O Ministério da Saúde afirma que o risco de pandemia é baixo e que o surto indiano está se extinguindo.
  • O vírus pode ser transmitido por contato com animais infectados e fluidos corporais, mas os morcegos que o propagam não estão presentes no Brasil.
  • Não há tratamento específico ou vacina eficaz contra o vírus Nipah, e o foco permanece em cuidados de suporte para os sintomas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Representação de um vírus em 3D
Sintomas do Nipah podem variar de leves a graves, com uma taxa de letalidade de até 75% Reprodução/Pexels/Daniel Dan

O vírus Nipah, que já provocou surtos em países asiáticos, voltou a ganhar relevância no fim de janeiro após o registro de dois novos casos na Índia.

Acompanhada de conteúdos desinformativos, a situação também ganhou atenção no Brasil, onde as buscas pela doença no Google dispararam. E, na véspera do carnaval, surge a dúvida: há motivo para preocupação?


Primeiro, o Ministério da Saúde reforça que o Brasil não tem nenhum caso de Nipah confirmado e não há motivo para preocupação.

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A pasta afirma que o País mantém protocolos permanentes de vigilância a agentes patogênicos e que o risco de uma pandemia causada pelo vírus é considerado baixo.


“Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), foram confirmados na Índia apenas dois casos, ambos entre trabalhadores de saúde, que tiveram contato com 198 pessoas já identificadas e testadas, todas com resultado negativo. O último caso foi registrado naquele país em 13 de janeiro, indicando que o evento já se aproxima do fim do período de acompanhamento”, cita o MS em nota.

De acordo com Benedito Fonseca, professor de moléstias infecciosas e tropicais da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o vírus tem um potencial epidêmico, mas raramente causará uma pandemia.


O surto de Nipah na Índia está se extinguindo e, portanto, acredito ser mínima a chance de termos infecção pelo Nipah no Brasil”, destaca.

“O que temos de fazer — e o MS está atento a isso — é a detecção rápida de um caso possível, principalmente em uma pessoa que tenha vindo da Índia ou Bangladesh, pois esse vírus é também transmitido por secreções respiratórias”, adiciona.


Como o Nipah é transmitido?

O vírus Nipah pode ser transmitido aos seres humanos por meio do contato com animais infectados, pela ingestão de alimentos contaminados ou diretamente de pessoa para pessoa.

Nesse último caso, a infecção ocorre principalmente em situações de contato próximo, com exposição a fluidos corporais ou gotículas respiratórias.

“Esse é o grande perigo desse vírus, pois uma pessoa com a doença pode transmiti-lo para outra pessoa que nunca teve a doença e, com isso, causar um surto epidêmico”, pontua Fonseca.

Os hospedeiros naturais do vírus são morcegos da família Pteropodidae (que não existem no Brasil), embora outros animais, como porcos e cavalos, também possam ser infectados.

A transmissão para humanos pode ocorrer pelo contato com esses animais ou com seus fluidos. Outro risco importante está no consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos infectados, já que essas espécies se alimentam de frutas.

Sintomas

Segundo o professor, o período entre a infecção e o início dos sintomas varia de 4 a 14 dias. “Os sintomas podem variar de casos assintomáticos ou oligossintomáticos até casos muito graves com uma taxa de letalidade que pode chegar a 75%.”

“Os sintomas iniciais são febre, dores no corpo, mal-estar geral cefaleia e vômitos. Essas manifestações iniciais podem evoluir para uma doença respiratória muito grave e para o acometimento do sistema nervoso central, causando um quadro clínico denominado encefalite; esses casos são aqueles com a maior taxa de letalidade”, acrescenta.

Tratamento

Não há um tratamento específico comprovadamente eficaz, de acordo com Fonseca.

Embora um antiviral, o remdesivir, esteja sendo utilizado de forma compassiva em alguns casos, a conduta recomendada ainda se baseia no chamado tratamento de suporte, voltado ao controle dos sintomas e das complicações.

“Além disso, até o momento não existe uma vacina que proteja contra a infecção por esse vírus.”

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