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Zika vírus: estudo revela os principais impactos na infância

Levantamento internacional com participação da Fiocruz analisou dados de 843 crianças com microcefalia

Saúde|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo internacional revela impactos do Zika em 843 crianças com microcefalia.
  • A pesquisa identifica um espectro de gravidade e diversas manifestações da Síndrome Congênita do Zika (SCZ).
  • Mais da metade das crianças apresentaram déficit de atenção social, com alterações neurológicas e oftalmológicas frequentes.
  • Os efeitos do Zika demandam acompanhamento contínuo e políticas públicas de suporte às famílias afetadas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aedes aegypti: mosquito que transmite o vírus Zika é o mesmo da dengue e da chikungunya Fiocruz/Divulgação/Via Correio do Povo - 01.09.2025

Um estudo internacional com participação da Fiocruz jogou luz sobre os impactos do vírus Zika na primeira infância. Publicada no dia 29 de dezembro pela revista PLOS Global Public Health, a pesquisa reúne a maior análise já feita com dados primários de crianças com microcefalia associada à infecção.

O levantamento analisou informações de 843 crianças acompanhadas desde o nascimento até os três primeiros anos de vida. Todas nasceram entre janeiro de 2015 e julho de 2018, período que coincide com o auge da epidemia de zika no Brasil. Os dados foram coletados em diferentes momentos: no nascimento, na primeira avaliação clínica ou ao longo do acompanhamento médico.


A pesquisa contou com a participação do IFF/Fiocruz (Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira) e envolveu crianças das regiões Norte, Nordeste e Sudeste. O objetivo foi traçar um retrato mais amplo da SCZ (Síndrome Congênita do Zika) no país.

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Segundo a pesquisadora do IFF/Fiocruz Maria Elizabeth Lopes Moreira, até agora, o conhecimento sobre a síndrome se baseava, em grande parte, em estudos menores. “Com uma amostra maior, foi possível perceber que existe um espectro de gravidade entre as crianças, com diferentes tipos de manifestações”, explica.


Os dados fazem parte de 12 coortes (grupos) integradas ao Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika, iniciativa que reúne pesquisadores de várias instituições e estados.

Para o professor Demócrito Miranda, da Universidade de Pernambuco, o estudo ajuda a organizar um conhecimento construído ao longo de uma década. “Ele consolida evidências acumuladas desde o início da epidemia, identificada inicialmente no Nordeste”, afirma.


Principais achados

A análise mostra que a microcefalia continua sendo uma das principais marcas da síndrome, mas está longe de ser a única. De acordo com a professora Cristina Hofer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alterações neurológicas e oftalmológicas aparecem com frequência significativa.

Entre os principais resultados, estão:

  • Microcefalia ao nascer: presente em 71,3% das crianças; em quase dois terços dos casos, a condição era considerada grave;
  • Microcefalia pós-natal: identificada em 20,4% das crianças;
  • Prematuridade: variou entre 10% e 20%, a depender da região;
  • Baixo peso ao nascer: média de 33,2% dos casos;
  • Malformações congênitas: alterações como epicanto, occipital proeminente e excesso de pele no pescoço foram frequentes.

Alterações neurológicas e sensoriais

O estudo aponta que mais da metade das crianças apresentou déficit de atenção social. A epilepsia apareceu em percentuais elevados, variando de 30% a 80% conforme o grupo analisado. A persistência de reflexos primitivos também foi comum, atingindo mais de 60% dos casos.


No campo sensorial, alterações oftalmológicas foram identificadas em até 67,1% das crianças avaliadas. Já os problemas auditivos surgiram com menor frequência, mas não deixaram de ser registrados.

Exames de imagem reforçaram a gravidade do quadro: calcificações cerebrais apareceram em mais de 80% das crianças, enquanto ventriculomegalia (aumento dos ventrículos cerebrais) foi observada em cerca de três quartos dos casos. A atrofia cortical também esteve presente em aproximadamente metade do grupo analisado.

Impacto a longo prazo

Para os pesquisadores, os dados confirmam que a Síndrome Congênita do Zika envolve um conjunto amplo de comprometimentos, que afetam o desenvolvimento neurológico, motor e sensorial das crianças. O estudo defende a necessidade de acompanhamento contínuo e de políticas públicas que garantam suporte às famílias.

O pesquisador Ricardo Ximenes, da Universidade Federal de Pernambuco, reforça que os impactos exigem respostas estruturadas. “Os danos ao sistema nervoso central demandam cuidado multidisciplinar e acompanhamento por diferentes especialidades da saúde”, ressalta.

Os autores destacam que, mesmo anos após o pico da epidemia, os efeitos do Zika continuam presentes na vida de centenas de crianças brasileiras e seguem como um desafio para o sistema de saúde e para as políticas de atenção à infância.

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