Brasil aposta na própria biodiversidade para começar a desenvolver o IFA, a matéria-prima dos remédios
País lança centro de pesquisa para desenvolver ativos de medicamentos com base em ativos extraídos da biodiversidade local
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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O Brasil lançou um centro de pesquisa para desenvolver ativos de medicamentos com base em ativos extraídos da biodiversidade do país. O projeto, em parceria com a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e o Ministério da Saúde, recebe o investimento de R$ 60 milhões para pesquisar IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos) encontrados em plantas, animais e microrganismos brasileiros e moléculas.
A iniciativa pretende tentar reduzir nos próximos anos a dependência externa desses insumos, já que hoje mais de 90% são importados. O centro de competência em IFA vai funcionar no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, no interior de São Paulo.

Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (3), Daniella Trivella, coordenadora do CC-IFABR (Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira) no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), explica que o Brasil não tinha um desenvolvimento forte de IFAs devido à alta complexidade, à demora e à alta quantidade de investimento contínuo necessário durante o processo.
“O Brasil, historicamente, não tinha esse desenvolvimento forte, esse ecossistema de inovação aqui no país, mas hoje, principalmente com o anúncio do Centro de Competência, a gente tem como desenvolver isso no país, e o Centro de Competência visa exatamente isso: fortalecer esse ecossistema”, afirma.
Segundo Daniella, o CC-IFABR visa não só buscar o desenvolvimento de novos IFAs a partir da biodiversidade brasileira, mas também investir em rotas produtivas sustentáveis, que evitam o uso de insumos fósseis.
“A gente fazer essa substituição por insumos químicos de origem verde é um grande ganho e um grande potencial para a nossa indústria nos próximos 10 anos, que é a indústria de forma química mais sustentável, que vai tomar o lugar. Nós temos já esse desenvolvimento para assumirmos essa posição”, reforça.
Daniella ressalta que, como não eram realizados esses estudos clínicos no Brasil, os pacientes acabavam não tendo acesso a essas novas tecnologias. Porém, a partir do momento em que os estudos clínicos forem desenvolvidos de forma ágil e com parceria da indústria, principalmente a brasileira, a produção será mais viável e, consequentemente, disponibilizada para os pacientes.
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