Tecnologia e Ciência Chuvas ácidas ainda ameaçam preservação e saúde do planeta

Chuvas ácidas ainda ameaçam preservação e saúde do planeta

Poluentes na atmosfera se misturam com a água e prejudicam a fauna e a flora, comprometendo também a saúde humana

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Industrialização acelerou ocorrências de chuva ácida

Industrialização acelerou ocorrências de chuva ácida

Caio Guatelli/Agência Estado/19-02-13

A chuva ácida é um dos resultados imediatos do despejo excessivo de CO2 e gases tóxicos na atmosfera. Segundo a organização WWF (World Wildlife Fund), quase 40% do ecossistema europeu é afetado por esse fenômeno que está intimamente ligado à necessidade de se conter a utilização descontrolada de combustíveis fósseis.

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As ameaças causadas pela chuva ácida ainda são uma realidade a ser superada, mesmo com o incremento das opções com a chamada energia limpa, conforme afirma o professor Fernando Nadal Junqueira Villela, doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo.

“Se pensarmos que a água da chuva pode reagir com uma série de gases na atmosfera, que podem ser emitidos de uma forma natural, como por exemplo pelos vulcões, podemos colocar então que a chuva ácida também é um fenômeno natural. Agora, a chuva ácida é uma questão que ultimamente tem sido negligenciada em relação a outros fatores, como aquecimento global, contaminação do solo e da água dos rios”, diz.

Qualquer chuva tem um grau natural de acidez. Mas o lançamento de poluentes na atmosfera costuma levar essa acidez a graus intoleráveis para lavouras, rios, lagos, florestas, campos, afetando a fauna e a flora e comprometendo a saúde humana. Malformações de bebês, doenças respiratórias e outras patologias são consequências frequentes deste fenômeno.

Tais gases poluentes, como os óxidos de nitrogênio (NOx) e dióxido de carbono (CO2), são emitidos em função de um processo de industrialização descontrolado e intenso, que vem ocorrendo nas cidades desde o fim do século 19.

O termo "chuva ácida " foi criado por Robert Angus Smith, climatologista e químico britânico, em função da desordenada queima de carvão no início da Revolução Industrial na Inglaterra.

As usinas termelétricas também contribuem neste sentido, assim como a fumaça vinda de ônibus, carros e caminhões. Outra prática que resulta em poluição atmosférica é a má gestão dos resíduos sólidos, por meio da simples incineração em terrenos.

Nos anos 80, o estado de calamidade pelo qual passava a cidade de Cubatão (SP), abriu campo para um debate sobre a urgência de se buscar alternativas energéticas sustentáveis e modelos de desenvolvimento ecologicamente adequados.

Das curvas da estrada na Serra do Mar, crianças que iam passar férias na Baixada Santista ficavam intrigadas com uma tocha de fogo que saía de um cilindro alto, na verdade auxiliando a poluir ainda mais o ambiente.

Conforme ressaltou o professor Villela, fenômenos naturais também podem ser causadores do problema. O dióxido de enxofre (SO2), por exemplo, é liberado na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis e por erupções vulcânicas.

Todas essas substâncias, em contato com a água, levam o pH de 7,0 para 5,6, número a partir do qual, para baixo, a chuva é considerada ácida.

Outro fenômeno natural, o vento, pode fazer uma chuva ácida artificial ocorrer em áreas bem distantes dos centros poluentes. Neste sentido, o cuidado tem de ser tomado visando todo o ecossistema e não apenas um único ponto.

Villela afirma que observar o estado das estátuas de uma cidade é uma das maneiras de se perceber a presença da chuva ácida.

“As estátuas vão sendo progressivamente degradadas pela reação química com a água, cujo pH foi reduzido pela presença de outros elementos”, diz.

Além do controle da emissão dos gases, uma maneira de conter a formação de poluentes é a criação de processos de dessulfuração, por meio de depuradores molhados, que ajudam a retirar os gases com enxofre que saem das chaminés.

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