Cientistas brasileiros lançam grupo para estudar vida extraterrestre
Sociedade Brasileira de Astrobiologia é apresentada nesta quarta (6), na USP
Tecnologia e Ciência|Tiago Alcantara, do R7

Imaginar que a vida surgiu apenas na Terra é algo matematicamente improvável. Levando em conta esse fato, é surpreendente que a astrobiologia - ciência que estuda a possibilidade de vida em outros planetas a partir da química, física, geologia e outras disciplinas - seja uma área recente de pesquisa.
Para reunir os pesquisadores dessa área no País, será lançada, nesta quarta-feira (6), a Sociedade Brasileira de Astrobiologia. O evento acontece na USP (Universidade de São Paulo), em São Paulo, durante a Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira.
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O evento contará com a participação do professor e pesquisador da USP Eduardo Janot Pacheco, que deve assumir a presidência da nova instituição em seu primeiro ano de funcionamento. A reportagem do R7 conversou por telefone com Janot antes do pesquisador assumir o cargo. E a primeira pergunta foi a mais óbvia possível: há vida fora da Terra?
— Essa é uma área que atrai muito interesse do público. O fato de outro planeta ser habitado por vida inteligente é imaginado desde a antiguidade. Do ponto de vista teórico, é descabido pensar que só apareceu vida na Terra. E é fascinante pensar que vamos descobrir isso um dia.
É descabido pensar que a vida só apareceu na Terra
De acordo com estimativas da Sociedade Astronômica Brasileira, a área já reúne pelo menos uma centena de pesquisadores e estudantes interessados. Esse ramo multidisciplinar da ciência, vem ganhando forma nas últimas décadas e une disciplinas como astronomia, biologia, astroquímica, geofísica, geologia e química, entre outras.

A astrobiologia se propõe a investigar a possibilidade de vida em outros planetas a partir de vários aspectos e é uma área multidisciplinar, explica Pacheco. O estudo da composição química de corpos celestes, a pesquisa sobre a vida na Terra e sua evolução são alguns dos temas abordados pelos membros da sociedade.
Resposta aos boatos
Para Pacheco, o grupo pretende preencher uma lacuna de informação que existe no debate no Brasil, inclusive combatendo informações falsas e teorias da conspiração.
— É muito importante uma resposta. Hoje em dia, as redes sociais não tem nenhum controle, qualquer um pode achar que entende de um assunto e influencia outras pessoas. Isso piorou a situação [fake news]. Uma pessoa pode falar que viu um disco voador e muita gente acredita, por mais absurdo que possa parecer.
Sociedade vai representar cientistas perante agências de financiamento; além de combater fake news
Recentemente, páginas e defensores da chamada Terra plana têm ganhado audiência ao refutar o que a ciência já teria como debate encerrado.
O futuro presidente da Sociedade Brasileira de Astrobiologia afirma que uma das funções da nova instituição será a produção e divulgação de material didádio sério sobre o assunto.
— É importante ter profissionais que possam informar corretamente sobre o tema. Senão, há muita especulação.
A ideia da sociedade é também reunir os pesquisadores da área e representar os pesquisadores perante a sociedade, outras sociedades do exteriror, agências de financiamento, dentre outros.











