Logo R7.com
RecordPlus
Tecnologia e Ciência

Espanha encontra pista inédita sobre elefantes ‘máquina de guerra’

Descoberta sugere que os lendários elefantes de guerra de Aníbal realmente passaram pela Europa Ocidental

Tecnologia e Ciência|Jack Guy, da CNN Internacional

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Arqueólogos na Espanha descobriram um osso de elefante de 2.200 anos, possivelmente usado como "máquina de guerra" por Aníbal.
  • O osso foi encontrado em um sítio arqueológico em Córdoba e data do final do século 3 ao início do século 4 a.C.
  • Essa descoberta é a primeira evidência física de elefantes cartagineses na Europa Ocidental durante a Segunda Guerra Púnica.
  • Além do osso, foram encontrados artefatos militares, sugerindo um contexto de combate e reforçando a presença de Aníbal na Península Ibérica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vista do sítio arqueológico onde o osso foi encontrado, no sul da Espanha
Pesquisadores identificam um osso de elefante que pode estar ligado ao exército de Aníbal Agustín Lopez Jimenez/Via CNN Newsource -20.02.2026

Arqueólogos na Espanha descobriram um osso de elefante de 2.200 anos e acreditam que ele pertenceu a um animal que serviu como uma “máquina de guerra” em um exército enviado para invadir a República Romana.

Após encontrarem o osso do tornozelo no sítio arqueológico Colina de los Quemados, na cidade de Córdoba, no sul da Espanha, os pesquisadores utilizaram datação por radiocarbono para determinar que ele pertencia a um elefante que viveu entre o fim do século 3 e o início do século 4 a.C., segundo um estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports.


Nessa época, a cidade-estado de Cartago, localizada onde hoje é a Tunísia, disputava com a República Romana a supremacia no Mediterrâneo.

Os cartagineses eram conhecidos por usar elefantes como “máquinas de guerra” em seus exércitos, de acordo com a pesquisa. Relatos clássicos sugerem que o famoso comandante Aníbal conduziu um grupo de 37 elefantes através do território que hoje corresponde à Espanha e à França, tentando por fim invadir a Itália atravessando os Alpes durante a Segunda Guerra Púnica, que ocorreu entre 218 e 201 a.C.


Apesar de a visão extraordinária dos elefantes de Aníbal ter marcado os registros históricos, nenhuma evidência física direta de sua presença na Europa Ocidental havia sido encontrada até então.

Além da datação por radiocarbono — que se alinha aproximadamente ao período da Segunda Guerra Púnica — os pesquisadores afirmam que outros indícios reforçam a teoria de que o osso está relacionado a Aníbal. Entre eles estão 12 esferas de pedra utilizadas como munição de artilharia encontradas próximas ao osso, o que “provavelmente indica um contexto militar”.


Embora reconheçam que a descoberta de um único osso isolado não garante que todo o animal estivesse naquele local — já que o osso poderia ter sido levado para lá como curiosidade ou lembrança —, “os registros históricos e arqueológicos sugerem que sua associação com os eventos da Segunda Guerra Púnica, direta ou indiretamente, oferece a explicação mais plausível”, escreveram os pesquisadores. Eles citam ainda a presença de projéteis e pontas de flecha, possivelmente deixados após um episódio violento.

Representação de um elefante de batalha cartaginês durante a Segunda Guerra Púnica
Representação de um elefante de batalha cartaginês durante a Segunda Guerra Púnica Prisma/Universal Images Group/Getty Images via CNN Newsource - 20.02.2026

Armas prestigiosas e “psicológicas”

Elefantes de guerra nessa época eram “armas de prestígio, mas também armas psicológicas”, segundo Fernando Quesada-Sanz, autor principal do estudo e arqueólogo da Universidade Autônoma de Madrid, na Espanha.


Os animais eram “muito impressionantes e assustadores para tropas que não estavam acostumadas a enfrentá-los”, disse ele à CNN em um comunicado divulgado na quinta-feira.

“Eles também eram particularmente úteis contra cavalaria e para desorganizar linhas de infantaria inimiga”, acrescentou Quesada-Sanz. “Eram até usados como ponta de lança para liderar ataques contra paliçadas de fortificações temporárias, como acampamentos militares.”

Quesada-Sanz afirmou que “esta é a primeira vez, até onde sabemos, que restos autênticos de um dos elefantes do exército cartaginês são encontrados em solo europeu”, e acrescentou que poderia se tratar de um dos 21 elefantes que, segundo fontes clássicas, Aníbal deixou na Península Ibérica antes de iniciar sua marcha para a Itália.

“Esta descoberta pode ser um alerta para o estudo de coleções de antigas escavações guardadas em depósitos de museus na Espanha, no sul da França ou até na Itália, que podem conter mais exemplos”, disse ele. “Além disso, ossos de futuras escavações precisam ser examinados com cuidado.”

Eve MacDonald, arqueóloga e professora sênior de história antiga na Universidade de Cardiff, no País de Gales, e autora de Carthage: A New History, que não participou do estudo, disse à CNN que a descoberta é significativa porque finalmente fornece evidências físicas para a crença de longa data de que os cartagineses introduziram elefantes na Península Ibérica durante o século 3 a.C.

O contexto da descoberta — em um depósito contendo armas de artilharia e outros instrumentos de guerra — adiciona “uma camada convincente à interpretação” dos autores do estudo, afirmou ela.

“Há algo profundamente satisfatório em momentos em que o registro arqueológico surge e confirma o que a história há muito sugeria”, disse MacDonald por e-mail.

“A lenda de Aníbal cruzando os Alpes com 37 elefantes captura a imaginação das pessoas há milênios; os antigos romanos ficaram maravilhados com isso, e nós continuamos maravilhados até hoje”, acrescentou.

“Este pequeno osso... nos leva um passo mais perto de uma das histórias militares mais extraordinárias do mundo antigo.”

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.